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IA chinesa identifica câncer de pâncreas precocemente e ajuda a salvar vidas

A ferramenta desenvolvida por pesquisadores ligados à Alibaba vem apresentando resultados promissores ao detectar a doença em estágio inicial, o que nem sempre é fácil.

Avatar do(a) autor(a): André Luiz Dias Gonçalves

schedule03/01/2026, às 13:00

updateAtualizado em 28/01/2026, às 08:25

Uma ferramenta de IA desenvolvida por pesquisadores ligados à Alibaba tem revolucionado o diagnóstico do câncer de pâncreas na China, ao identificar precocemente sinais da doença em exames de rotina que muitas vezes passam despercebidos pelos médicos. Em uso desde 2024, a tecnologia vem ajudando a salvar vidas.

O recurso de “detecção de câncer de pâncreas com inteligência artificial”, conhecido pela sigla “PANDA” em inglês, foi adotado pelo Hospital Popular Afiliado da Universidade de Ningbo, na região leste do país. Como destaca o The New York Times nesta sexta-feira (2), a IA já analisou mais de 180 mil tomografias abdominais ou torácicas.

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Diagnósticos mais rápidos e precisos

Desde que entrou em ação, como parte de um estudo clínico, a ferramenta inteligente detectou mais de 20 casos de câncer de pâncreas, dos quais 14 em estágio inicial. Ela identificou não só a versão mais comum e letal da doença, adenocarcinoma ductal, como também o tumor neuroendócrino, tipo raro e menos agressivo.

  • Em todos os casos, os pacientes apresentavam inchaço ou náusea, não haviam passado por especialista em pâncreas e seus exames não levantavam suspeita até os alertas dados pela IA;
  • Um dos segredos do sucesso de PANDA é o treinamento usando tomografias com contraste de mais de 2 mil pacientes que apresentaram diagnóstico positivo, que traziam o mapeamento da localização das lesões no órgão;
  • Ao ser testada em mais de 20 mil tomografias sem contraste, que não mostram anormalidades com tanta clareza, ela identificou com sucesso 93% dos casos de lesões pancreáticas, segundo a reportagem;
  • No hospital chinês, médicos têm usado a solução inteligente para revisar exames classificados como de alto risco, podendo convocar pacientes para testes mais detalhados, dependendo da necessidade.
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A IA consegue identificar anormalidades nos exames que os médicos podem deixar passar. (Imagem: choja/Getty Images)

Apesar do sucesso, especialistas ressaltam a necessidade de mais dados de casos reais para determinar se a ferramenta pode identificar casos suficientes em estágio inicial da doença para compensar riscos de falsos positivos. Recursos semelhantes também estão em desenvolvimento em outros países.

De acordo com a Alibaba, PANDA foi classificado como “dispositivo inovador” pela Food and Drug Administration (FDA), agência federal dos EUA que regulamenta as indústrias farmacêutica e alimentícia. Isso pode facilitar a sua disponibilidade no mercado.

Com diagnóstico difícil nos estágios iniciais, o câncer de pâncreas tem alta mortalidade e sintomas como dor abdominal, perda de apetite e peso, fraqueza, fadiga, pele e olhos amarelados, entre outros. O tratamento pode incluir cirurgia, quimioterapia e radioterapia.

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Perguntas Frequentes

O que é a ferramenta PANDA e qual sua função?
PANDA é uma ferramenta de inteligência artificial desenvolvida por pesquisadores ligados à Alibaba, com o objetivo de detectar precocemente o câncer de pâncreas. Ela analisa tomografias abdominais e torácicas para identificar sinais da doença que muitas vezes passam despercebidos por médicos em exames de rotina.
Onde a tecnologia PANDA está sendo utilizada?
A ferramenta está em uso no Hospital Popular Afiliado da Universidade de Ningbo, localizado na região leste da China. Ela faz parte de um estudo clínico iniciado em 2024.
Quais tipos de câncer de pâncreas a IA consegue identificar?
A IA PANDA é capaz de identificar tanto o adenocarcinoma ductal, que é a forma mais comum e letal do câncer de pâncreas, quanto o tumor neuroendócrino, que é mais raro e menos agressivo.
Como a IA consegue detectar sinais que os médicos não percebem?
O sucesso da IA se deve ao seu treinamento com tomografias com contraste de mais de 2 mil pacientes diagnosticados com câncer de pâncreas. Esses exames incluíam o mapeamento preciso das lesões, permitindo que a IA aprendesse a reconhecer padrões sutis que podem passar despercebidos por humanos.
Qual a eficácia da ferramenta em exames sem contraste?
Mesmo em tomografias sem contraste, que dificultam a visualização de anormalidades, a IA PANDA conseguiu identificar corretamente 93% dos casos de lesões pancreáticas, demonstrando alta precisão diagnóstica.
Quantos casos de câncer de pâncreas a IA já detectou?
Desde que começou a ser utilizada, a ferramenta detectou mais de 20 casos de câncer de pâncreas, sendo 14 deles em estágio inicial, o que aumenta significativamente as chances de tratamento eficaz e sobrevida dos pacientes.
Quais sintomas apresentavam os pacientes identificados pela IA?
Os pacientes identificados pela IA apresentavam sintomas genéricos como inchaço ou náusea, não haviam consultado especialistas em pâncreas e seus exames não levantavam suspeitas até a análise feita pela ferramenta.
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