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Caso Epstein: entenda o que aconteceu e quem foi citado na lista

Entenda o caso Epstein, o contexto das investigações, a divulgação dos documentos e quem foi citado na lista.

Avatar do(a) autor(a): Nilton Cesar Monastier Kleina

schedule06/02/2026, às 13:00

updateAtualizado em 06/02/2026, às 15:48

Um escândalo de grandes proporções movimenta o noticiário global há alguns anos. É o Caso Epstein, uma série de crimes de abuso sexual e tráfico de pessoas que pode envolver também grandes empresários e políticos.

Mesmo após a morte do líder do esquema, investigações seguem em andamento e documentos que podem comprovar o papel de outras pessoas nos crimes seguem em processo de divulgação, já com consequências na vida e carreira dessas figuras. 

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A seguir, saiba mais detalhes sobre a cronologia, quais exatamente são as acusações e também a suposta lista de envolvidos de outras pessoas nos crimes do empresário.

Quem foi Jeffrey Epstein?

Jeffrey Epstein foi um influente financista de origem norte-americana que passou décadas construindo importantes conexões com empresários de diferentes áreas, de engenharia até política. Ele nasceu em Nova York e começou a carreira como professor de matemática, posteriormente migrando para uma carreira em bancos.

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Jeffrey Epstein. (Imagem: Getty Images/Handout)

Na década de 1980, Epstein deixou o emprego para fundar a sua primeira empresa de gerenciamento de recursos, a Intercontinental Assets Group. Ele também foi dono da Financial Trust, uma companhia de administração de grandes fortunas que o colocou de vez no setor do mercado financeiro.

Nesse período, ele estabeleceu contatos com pessoas de alto poder aquisitivo ou que estavam em busca de financiamentos. Figuras que se tornaram parceiras comerciais ou amigas dele incluem presidentes dos Estados Unidos (como Donald Trump e Bill Clinton), bilionários (de Elon Musk a Bill Gates) e outras figuras de relevância global — caso do príncipe Andrew, membro da família real britânica e filho do rei Charles.

A fortuna do empresário chegou ao ponto de ele ter jatos privados e múltiplas residências. Uma delas ficava na ilha de Little Saint James, parte do território das Ilhas Virgens Americanas, sendo que esse local é chave para entender quais os crimes cometidos por Jeffrey e a então namorada e cúmplice, Ghislaine Maxwell.

Morte de Epstein e teorias

O financista começou a ser investigado em 2005 sob acusações de abuso sexual de menores e até mesmo o FBI se envolveu no caso. Três anos depois, ele conseguiu um acordo nos tribunais para se declarar culpado apenas por solicitação de prostituição, cumprindo pouco mais de um ano de prisão.

Em julho de 2019, ele foi novamente preso, agora sob acusações mais graves de tráfico de pessoas. Ele se declarou inocente e não teve direito a liberação sob fiança. Semanas depois, em 10 de agosto, Epstein foi encontrado morto em sua cela em Nova York.

A versão oficial é de que o financista cometeu suicídio por enforcamento usando um lençol. O incidente gerou críticas do Departamento de Justiça do país, devido a uma possível negligência do centro de detenção e falhas dos carcereiros com uma figura tão importante em uma investigação que ainda estava em andamento.

Análises de médicos contratados pela família de Epstein chegaram a contestar essa versão, alegando fraturas típicas de um homicídio por estrangulamento na autópsia e outros aspectos que geraram dúvidas, como edições na câmera de monitoramento da cela.

As teorias que surgiram giram em torno de uma possível queima de arquivo, já que ele poderia comprometer a carreira e a vida de figuras importantes, ou até de que ele estaria vivo e escondido. Porém, a versão de que ele tirou a própria vida segue como a explicação mais aceita.

O que é o caso Epstein?

O caso Epstein é como é chamada toda a investigação em torno do escândalo envolvendo o financista norte-americano, desde os crimes propriamente ditos até as revelações mais recentes. O esquema montado por ele teria acontecido a partir do início dos anos 2000 e durado mais de uma década.

Principais acusações e investigações

Epstein e Ghislaine Maxwell são acusados de tráfico sexual de menores a partir do recrutamento sistemático de adolescentes de diversas partes do mundo, várias delas em situação vulnerável ou sob promessas falsas de auxílio.

A rede de prostituição pode ter envolvido mais de 250 meninas, que eram abusadas em propriedades do casal durante festas ou visitas privadas — incluindo a ilha caribenha e mansões nos Estados Unidos. 

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Ghislaine Maxwell. (Imagem: Laura Cavanaugh/Getty Images)

Epstein seria o principal responsável pela rede e dono do jato que transportava tanto as menores de idade quanto os colegas que participaram de abusos, enquanto a namorada agia como recrutadora de futuras vítimas.

Na primeira investigação, em 2005, Epstein conseguiu um acordo até hoje considerado controverso com o promotor Alexander Acosta. Em vez de acusações mais sérias, ele apenas foi registrado como agressor sexual e cumpriu poucos meses de detenção. A reabertura do caso com novas provas, em 2019 e já respondendo a crimes de tráfico sexual interestadual e internacional, foi o que o levou preso novamente.

Arquivos Epstein: documentos revelados

Os Arquivos Epstein (ou Epstein files, no original em inglês) são os documentos reunidos pelas investigações contra o empresário ao longo dos anos. Eles incluem trocas de emails, rascunhos, documentos oficiais e mensagens trocadas entre Jeffrey, Ghislaine e múltiplos contatos.

A revelação dos documentos mesmo que parcial foi solicitada por políticos do Legislativo dos EUA. Uma juíza acatou o pedido em 2024 e exigiu que eles fossem desclassificados, ou seja, perdessem o sigilo.

Partes do material foram liberadas gradualmente a partir de então. Porém, a maior divulgação em termos de volume aconteceu em janeiro do ano seguinte, quando mais de 3,5 milhões de páginas foram apresentadas simultaneamente.

O que é a lista citada no caso Epstein

Apesar de esse termo ser constantemente usado para se referir aos crimes, não há uma "lista" específica que tenha nomeados todos os cúmplices do financista, sejam clientes dos serviços ilegais ou pessoas que participaram de alguma forma dos crimes sexuais.

O que existe é uma coleção de documentos oficiais que pode conter evidências e comprovações a respeito da participação de determinadas figuras nos abusos — os já mencionados Arquivos Epstein.

Alguns dos nomes mais bombásticos mencionados nos documentos incluem:

  • o atual presidente dos EUA, Donald Trump, que tinha relação de amizade com Epstein e foi citado em 5,3 mil arquivos;
  • o ex-presidente Bill Clinton, que teve até mesmo registros de voos no jato privado do financista até a ilha;
  • o bilionário Elon Musk, da Tesla e do X, que teria solicitado mais de uma vez para comparecer às festas no arquipélago do Caribe;
  • o cofundador da Microsoft, Bill Gates, que supostamente participou de festas e teria até contraído uma doença sexualmente transmissível;
  • o príncipe Andrew, mencionado também em vários relatos e também visto em fotos com Epstein e algumas das vítimas;
  • o desenvolvedor e produtor de games Leslie Benzies, da Rockstar North;
  • também são citados ou chegaram até a visitar a ilha o cineasta Woody Allen, o músico Michael Jackson e o físico Stephen Hawking

Para além dessas figuras, há ainda muitas outras mencionadas nos documentos que seguem mantidos em sigilo, ou então que tiveram o nome escondido por causa de investigações em andamento.

Diferença entre citação, acusação e condenação

Apesar da liberação dos arquivos ser considerado um evento bombástico, ainda há muitas dúvidas a serem respondidas a respeito do envolvimento de outras pessoas no caso Epstein.

A maior parte dos nomes nos documentos são meras citações. Isso significa que as pessoas foram mencionadas em emails e mensagens ou então conversaram diretamente com o financista. Em alguns casos, há indicativos de que elas se encontraram com Epstein em algum momento, seja em festas na ilha ou em compromissos comerciais.

Até por isso, a citação não significa que a pessoa em questão também agiu de forma criminosa. Investigações estão em andamento para determinar quem de fato participou do esquema de tráfico sexual e abuso, com base em testemunhas de vítimas, fotos e documentos.

As acusações e condenações formais até agora só envolveram duas pessoas: o próprio Jeffrey Epstein e Ghislaine Maxwell. Ela foi condenada a 20 anos de prisão após julgamento em 2022. Já o príncipe Andrew foi alvo de um processo civil de uma das vítimas em 2022 e o caso terminou em acordo.

Consequências políticas e sociais do caso Epstein

Como apenas Ghislaine e o já falecido Epstein foram os únicos condenados até o momento, foram poucas as repercussões concretas sobre o envolvimento de pessoas nos crimes. O mais comum é a pressão para que os supostos envolvidos confessem a participação ou que os documentos sejam liberados na íntegra.

Porém, algumas consequências já foram sentidas. Bill Gates e a então esposa, Melinda French, se divorciaram em 2021 e o envolvimento do bilionário nos crimes foi um dos motivos apontados. Além disso, Andrew renunciou ao título da monarquia britânica e até deixou a mansão de Windsor, onde morava até 2026.

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Trump seria um dos envolvidos no esquema. (Imagem: Allison Robbert/Getty Images)

Há também pressão política sobre Donald Trump, um dos nomes mais citados nos arquivos e agora em um cargo com influência sobre possíveis desdobramentos do caso.

O TecMundo tem um documentário que aborda cibercrimes de abuso e as investigações sobre esse tipo de atividade. Assista "Realidade Violada 3: Predadores Sexuais" completo aqui!

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