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Celular da Coreia do Norte roda Android antigo com censura até no teclado; confira vídeo

Aparelhos como o "Samtaesung 8" oferecem versões modificadas de apps, proíbem o uso de certas palavras e expressões e se conectam a uma intranet do governo.

Avatar do(a) autor(a): André Luiz Dias Gonçalves

schedule24/11/2025, às 17:30

updateAtualizado em 24/11/2025, às 18:33

Projetados para impedir o acesso à internet, apps de mensagem e serviços do Google, celulares vendidos na Coreia do Norte estão entre os dispositivos mais censurados do mundo. É o que aponta uma análise feita pelo youtuber Arun Maini, do canal Mrwhosetheboss, divulgada no último sábado (22).

Analisando um smartphone top de linha chamado “Samtaesung 8” e um modelo de entrada contrabandeados do país asiático, o criador de conteúdo britânico se deparou com dispositivos que funcionam como sistemas de vigilância em tempo integral e de imposição de ideologias. Ele aprofundou uma análise feita pela BBC, que já demonstrava como o governo local espiona os cidadãos.

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Internet controlada pelo regime norte-coreano

Rodando Android 10 e Android 11, os celulares têm apps conhecidos, como navegadores, player de música, calendário e câmera. No entanto, tratam-se de versões falsas e que, em alguns casos, nem abrem ou servem apenas para a exibição de propagandas, de acordo com Maini.

  • Além disso, esses smartphones não têm acesso à internet global, permitindo somente a navegação por sites e serviços aprovados por Kim Jong-un em uma espécie de intranet estatal;
  • Qualquer tentativa de instalar novos apps nos aparelhos exige ir a uma loja física e solicitar autorização, em muitos casos dadas apenas de maneira temporária;
  • Os usuários também não podem modificar o fuso horário nem sincronizar com servidores externos, dificultando a comunicação com pessoas fora do país;
  • Somente jogos liberados pelo regime local estão disponíveis, assim como filmes de origem russa e indiana e produções que homenageiam líderes nacionais.

O youtuber detalha, ainda, que os celulares da Coreia do Norte até apresentam certos conteúdos internacionais de grande popularidade, que são pirateados e oferecidos aos usuários. No entanto, são versões editadas pelo governo para se adaptar às normas e cultura do país.

E ao tentar digitar “Coreia do Sul” em qualquer caixa de texto desses telefones, o sistema operacional faz uma correção automática, exibindo a expressão “estado fantoche”. Os aparelhos também censuram gírias e outras referências ao país vizinho, alertando sobre a proibição de palavras ou convertendo as frases para uma versão local.

Prints e arquivos inacessíveis

A vigilância nos celulares norte-coreanos inclui, também, registros de tudo o que os proprietários fazem. Capturas de tela são feitas a cada abertura de app, segundo o criador de conteúdo, com as imagens armazenadas em pastas bloqueadas, acessíveis somente às autoridades.

Esses aparelhos impedem, ainda, o compartilhamento de arquivos, via Bluetooth ou cabo, exceto aqueles com assinatura digital do governo. Em determinados casos, os conteúdos podem ser apagados se o usuário insistir na transferência.

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Perguntas Frequentes

O que diferencia os celulares da Coreia do Norte de outros smartphones Android?
Os celulares norte-coreanos, como o "Samtaesung 8", rodam versões modificadas do Android (10 e 11) e são projetados para impedir o acesso à internet global, apps de mensagens e serviços do Google. Eles funcionam como ferramentas de vigilância e controle ideológico, com aplicativos falsos, censura de palavras e restrições severas de uso.
Como funciona a censura no teclado dos celulares norte-coreanos?
O sistema operacional desses celulares corrige automaticamente termos considerados proibidos. Por exemplo, ao digitar "Coreia do Sul", o texto é substituído por "estado fantoche". Gírias e outras referências ao país vizinho também são censuradas ou convertidas para versões aprovadas pelo regime.
Esses celulares têm acesso à internet?
Não. Os dispositivos se conectam apenas a uma intranet estatal, com sites e serviços previamente aprovados pelo governo de Kim Jong-un. O acesso à internet global é completamente bloqueado.
É possível instalar novos aplicativos nesses aparelhos?
Somente com autorização do governo. Para instalar novos apps, o usuário precisa ir até uma loja física e solicitar permissão, que muitas vezes é concedida de forma temporária. Isso impede a instalação livre de softwares externos.
Como o governo monitora o uso dos celulares?
Os celulares registram capturas de tela automaticamente a cada vez que um aplicativo é aberto. Essas imagens são armazenadas em pastas protegidas, acessíveis apenas pelas autoridades, funcionando como um sistema de vigilância constante.
É possível compartilhar arquivos nesses dispositivos?
O compartilhamento de arquivos é extremamente limitado. Só é permitido transferir conteúdos com assinatura digital do governo. Tentativas de compartilhar arquivos via Bluetooth ou cabo podem resultar no bloqueio ou exclusão dos dados.
Que tipo de conteúdo está disponível nesses celulares?
Os aparelhos oferecem apenas jogos e filmes aprovados pelo regime, incluindo produções russas, indianas e conteúdos que exaltam líderes norte-coreanos. Alguns conteúdos internacionais populares são pirateados e editados para se adequar às normas locais.