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Mercado ilegal de smartphones cai 7% no Brasil: Xiaomi e Realme são as mais vendidas

Dados divulgados pela Abinee apontam que a Xiaomi segue na liderança dos smartphones ilegais que são vendidos no Brasil.

Avatar do(a) autor(a): Wellington Arruda

schedule04/12/2025, às 12:30

updateAtualizado em 05/12/2025, às 18:28

As vendas de smartphones irregulares no Brasil, ou o popular mercado cinza, recuaram 7% no Brasil em 2025. O dado foi compartilhado pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) nesta quinta-feira (4).

O resultado faz parte de uma ação coordenada entre entidades como Abinee, Anatel, Senacon, Polícia Federal, Receita Federal, Sefaz-SP e o Legislativo. A Abinee reforça que, apesar da redução, eles ainda não estão satisfeitos e esperam que o mercado irregular “seja eliminado de vez”. A associação diz que diversos setores são afetados pelo mercado cinza e que a pressão feita por múltiplos órgãos é essencial na disputa.

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O histórico do mercado não oficial reflete uma queda de 13% na participação de mercado nos últimos dois anos — a seguir, listamos com base em milhões de unidades vendidas e o percentual de participação do mercado cinza:

  • 2025: 4,5 milhões, 12% de participação;
  • 2024: 7,7 milhões, 19% de participação;
  • 2023: 10,9 milhões, 25% de participação;
  • 2022: 4 milhões, 10% de participação;
  • 2021: 3,8 milhões, 9% de participação.

A venda registrada pelo mercado oficial atingiu 31,9 milhões de unidades em 2025 — um recuo de 2% em relação a 2024, onde 32,5 milhões de unidades de smartphones foram comercializadas. Os dados são da consultoria IDC.

E quanto custam esses smartphones? Passando pelo caminho não oficial, o consumidor encontra valores mais atraentes em comparação com as lojas oficiais. A Abinee aponta que o valor médio dos dispositivos irregulares subiu de R$ 1 mil para até R$ 2,5 mil, o que reflete também no faturamento da indústria.

Quais marcas têm mais celulares irregulares no Brasil?

A Xiaomi continua sendo a empresa líder na venda de smartphones irregulares no Brasil — a empresa figurou no topo em anos anteriores. A Realme também aparece logo atrás, “no mesmo modelo que eles [a Xiaomi] fazem de importações via Paraguai”, segundo a associação. Essas importações acontecem, normalmente, por meios externos das empresas oficiais ou distribuidoras, mas também por consumidores finais para evitar a coleta de impostos.

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O TecMundo entrou em contato com Xiaomi e Realme. A primeira não respondeu, enquanto a Realme, via nota, pontuou que trabalha com parceiros para “garantir a melhor experiência aos usuários”. 

“A realme também destaca que possui fabricação local desde abril de 2025, voltado exclusivamente para atender ao mercado brasileiro e à demanda interna, permitindo maior adaptação dos produtos às preferências e necessidades dos consumidores brasileiros, além de ser um passo importante para a solidificação da marca no Brasil”, pontuou ainda.

Durante a coletiva com a imprensa, a Abinee citou que outras marcas que chegaram recentemente ao Brasil, como Jovi, Oppo e Honor, também já estão investindo na fabricação local.

O que tem sido feito?

Humberto Barbato, presidente executivo da Abinee, aponta que a queda na venda de smartphones irregulares “mostra que a exposição sistemática do problema, somada às ações de fiscalização, comunicação e aprimoramento regulatório, está trazendo resultados concretos”. A entrada ilegal acontece por descaminho, por vias como o Paraguai, tendo a distribuição em marketplaces.

“Embora o avanço seja significativo, essa prática ainda preocupa e exige ações permanentes. Esperamos que, com a continuidade dessas ações, o índice possa recuar substancialmente já em 2026”, disse Barbato.

As ações conjuntas das entidades têm apostado em multas às grandes empresas do comércio eletrônico. Mercado Livre, Amazon, Magazine Luiza e outras já tiveram produtos apreendidos e/ou foram multadas.

A Anatel tem pressionado. Neste ano, a agência já ameaçou bloquear a atuação das gigantes Amazon e Mercado Livre, que foram à justiça tentar impedir um possível bloqueio. O principal motivo são os smartphones que não possuem homologação para serem vendidos no país, mas que possuem anúncios no marketplace das empresas.

Segundo a Abinee, a projeção para 2026 é reforçar ações do tipo contra o mercado cinza. O tema “continua sendo uma grande preocupação para o país” e, apesar da redução, ainda não satisfaz os fabricantes do setor.
 

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Perguntas Frequentes

O que é o mercado cinza de smartphones no Brasil?
O mercado cinza refere-se à venda de smartphones que entram no país de forma irregular, sem homologação da Anatel e sem seguir os trâmites legais de importação. Esses aparelhos geralmente são adquiridos por meio de descaminho, como via Paraguai, e vendidos em marketplaces ou lojas não autorizadas.
Qual foi a queda nas vendas de smartphones irregulares em 2025?
Em 2025, as vendas de smartphones irregulares caíram 7% em relação ao ano anterior. Foram comercializadas 4,5 milhões de unidades, representando 12% do mercado, contra 7,7 milhões em 2024 (19% de participação).
Quais marcas lideram as vendas de celulares irregulares no Brasil?
A Xiaomi continua sendo a líder na venda de smartphones irregulares no Brasil, seguida pela Realme. Ambas utilizam modelos de importação via Paraguai, segundo a Abinee.
Por que os smartphones do mercado cinza são mais baratos?
Os aparelhos vendidos no mercado cinza costumam ter preços mais atrativos porque não passam pelos processos legais de importação, como pagamento de impostos e homologação. No entanto, o valor médio desses dispositivos subiu de R$ 1 mil para até R$ 2,5 mil, impactando também o faturamento da indústria.
Quais ações estão sendo tomadas contra o mercado cinza?
Uma ação coordenada entre Abinee, Anatel, Senacon, Polícia Federal, Receita Federal, Sefaz-SP e o Legislativo tem promovido fiscalização, comunicação e aprimoramento regulatório. Empresas como Mercado Livre, Amazon e Magazine Luiza já foram multadas ou tiveram produtos apreendidos por venderem smartphones irregulares.
Qual é a posição da Abinee sobre a redução do mercado cinza?
A Abinee considera a redução de 7% um avanço, mas ainda insuficiente. A associação espera que o mercado irregular seja eliminado completamente e reforça que ações permanentes são necessárias para alcançar esse objetivo.
Como o mercado oficial de smartphones se comportou em 2025?
O mercado oficial registrou a venda de 31,9 milhões de unidades em 2025, uma queda de 2% em relação a 2024, quando foram vendidas 32,5 milhões de unidades. Os dados são da consultoria IDC.