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LibreOffice acusa Microsoft de tornar arquivos complexos demais para 'prender' usuários

A Microsoft estaria deixando o formato de documentos proprietários complexos demais, sequestrando usuários no próprio ecossistema.

Avatar do(a) autor(a): Igor Almenara Carneiro

schedule22/07/2025, às 18:30

updateAtualizado em 23/07/2025, às 12:03

A The Document Foundation, mantenedora do LibreOffice, acusou a Microsoft de tornar propositalmente complexos seus formatos de arquivos proprietários para dificultar a migração de usuários para outras plataformas. O protesto foi publicado na última sexta-feira (18), assinado por Italo Vignoli, um dos membros fundadores da instituição sem fins lucrativos.

Segundo Vignoli — conhecido defensor do software livre — a complexidade excessiva dos formatos da Microsoft é usada como uma "tática de fidelização forçada ao fornecedor".

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"Para ilustrar como essa complexidade se traduz em uma estratégia de bloqueio, imagine um sistema ferroviário cujas vias estão disponíveis para todos, mas cuja principal fabricante de trens impõe um sistema de controle absurdamente complicado. Em teoria, qualquer um poderia construir trens compatíveis com as vias, mas as especificações desse sistema são tão confusas que apenas a fabricante original consegue operar plenamente", comparou Vignoli.

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A Microsoft tornaria os formatos proprietários desnecessariamente complexos para prender usuários no próprio ecossistema. (Fonte: Getty Images/Reprodução)

Por padrão, o LibreOffice salva documentos no formato OpenDocument Format (ODF) — como .ODT e .ODS —, enquanto a Microsoft adota o Office Open XML (OOXML), representado pelas extensões .DOCX e .XLSX. Ambos utilizam uma base em XML (Extensible Markup Language), linguagem que organiza dados de forma hierárquica, legível por humanos e máquinas.

Microsoft deixaria tudo complicado demais à toa

O problema, segundo a The Document Foundation, é que a Microsoft eleva desnecessariamente a complexidade do OOXML como uma forma de manter os usuários dentro do ecossistema Microsoft. “Essa complexidade artificial se manifesta em estruturas de tags profundamente aninhadas, abstração excessiva, centenas de elementos opcionais, convenções de nomenclatura pouco intuitivas, uso generalizado de curingas e namespaces múltiplos, além de uma documentação escassa e de difícil compreensão”, critica o artigo.

Na metáfora de Vignoli, os “passageiros” desse sistema — os usuários — sequer percebem que estão presos a barreiras técnicas que limitam sua liberdade de escolha e viabilizam aumentos abusivos de preços.

“Isso é muito semelhante ao que vemos na TI, onde a Microsoft força os consumidores a migrarem do Windows 10 para o Windows 11 contra a própria vontade”, continuou. “Essa transição não tem justificativa técnica e obriga os usuários a adotarem o Windows 11 e o Microsoft 365”, argumenta.

Para Vignoli, esse poder desproporcional da Microsoft só se mantém graças à inércia de governos e instituições internacionais. Ele conclui: “Se você desenvolve ou está escolhendo um sistema baseado em XML, lembre-se de que a complexidade aprisiona, enquanto a simplicidade e a clareza libertam.”

As afirmações de Vignoli não surtem efeito imediato, mas podem gerar ondas no longo prazo, especialmente em disputas judiciais. Quer saber onde isso vai dar? Fique ligado no TecMundo!
 

Perguntas Frequentes

O que o LibreOffice está acusando a Microsoft de fazer?
A The Document Foundation, responsável pelo LibreOffice, acusa a Microsoft de tornar seus formatos de arquivos proprietários propositalmente complexos. Segundo a fundação, isso dificulta a migração dos usuários para outras plataformas, funcionando como uma forma de "fidelização forçada ao fornecedor".
Qual é a crítica principal em relação ao formato OOXML da Microsoft?
O artigo critica o OOXML (Office Open XML), usado pela Microsoft, por sua complexidade artificial. Essa complexidade se manifesta em estruturas de tags profundamente aninhadas, excesso de abstração, centenas de elementos opcionais, convenções de nomenclatura pouco intuitivas, uso de curingas e múltiplos namespaces, além de documentação escassa e difícil de entender.
Como o LibreOffice compara os formatos de documentos utilizados?
O LibreOffice utiliza o formato OpenDocument Format (ODF), como .ODT e .ODS, enquanto a Microsoft usa o OOXML, como .DOCX e .XLSX. Ambos são baseados em XML, uma linguagem que organiza dados de forma hierárquica e legível por humanos e máquinas. No entanto, o LibreOffice defende que o ODF é mais simples e transparente.
Qual é a metáfora usada por Italo Vignoli para explicar o problema?
Vignoli compara a situação a um sistema ferroviário cujas vias são abertas, mas a principal fabricante de trens impõe um sistema de controle extremamente complicado. Assim, embora qualquer um possa teoricamente construir trens compatíveis, apenas a fabricante original consegue operá-los plenamente, criando uma barreira técnica disfarçada.
Como essa complexidade afeta os usuários comuns?
Segundo Vignoli, os usuários — comparados a passageiros — muitas vezes não percebem que estão presos a barreiras técnicas que limitam sua liberdade de escolha. Isso permite à Microsoft impor mudanças forçadas, como a migração do Windows 10 para o Windows 11, sem justificativa técnica clara.
O que a The Document Foundation sugere sobre o uso de XML?
A fundação alerta que, ao escolher ou desenvolver sistemas baseados em XML, é importante lembrar que a complexidade pode aprisionar. Já a simplicidade e a clareza promovem liberdade e interoperabilidade entre plataformas.
As acusações do LibreOffice têm efeitos legais imediatos?
Não. As declarações de Vignoli não têm efeito imediato, mas podem influenciar debates futuros e até disputas judiciais, especialmente se ganharem atenção de governos e instituições internacionais.
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