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O que o Hype Cycle da Gartner diz sobre as tendências tecnológicas de 2026

Empresas que apostaram milhões em promessas que não se sustentam vão sentir o impacto talvez já em 2026.

Avatar do(a) autor(a): Henrique Troitinho - Colunista

schedule17/12/2025, às 19:00

updateAtualizado em 29/01/2026, às 09:08

Todo mundo sabe o que é hype, pelo menos na teoria. Quando algo vira febre repentina, sempre tem alguém que diz: “isso aí é só hype, logo passa”. Alguns preferem chamar de “modinha”. E, na maioria dos casos, estão certos: o sucesso explode e desaparece.

Esse fenômeno não é novidade no mundo da tecnologia. De tempos em tempos, vemos ferramentas, modelos ou dispositivos surgirem como “a próxima revolução”, brilharem intensamente e, logo depois, voltarem para nichos muito específicos — quando não desaparecem totalmente.

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Mas nem todo hype morre na praia. Enquanto algumas inovações evaporam, outras atravessam esse processo turbulento e se tornam essenciais. Na história da tecnologia, automóveis, geladeiras e até o próprio smartphone já foram alvos de exagero e desconfiança antes de se tornarem parte do cotidiano.

A questão é: como diferenciar exagero passageiro de inovação significativa? Não existe bola de cristal, mas o modelo Hype Cycle da Gartner oferece uma maneira bem objetiva de prever como uma tecnologia tende a amadurecer. Ele não analisa apenas o produto, mas o comportamento humano diante da novidade — o que explica por que tantas ideias são superestimadas e depois abandonadas.

O ciclo funciona assim: primeiro surge o gatilho da inovação. Logo depois, aparece o pico das “expectativas infladas”, quando tudo vira promessa. Daí vem o “vale da desilusão”, quando essas promessas se mostram irreais e boa parte das soluções desaparece. As que sobrevivem entram na fase do esclarecimento, ganhando aplicações concretas, até chegar ao “platô da produtividade”, quando uma tecnologia se estabelece de forma sustentável.

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Inteligência artificial e tendências para 2026

É impossível falar de hype sem falar de inteligência artificial. A IA já faz parte de diversos processos há anos, mas o foco global atual é a IA generativa, que virou protagonista desse pico de expectativas. Não por acaso: empresas gastaram, em média, US$ 1,9 milhão (R$ 10,37 milhões) com iniciativas de IA generativa em 2024, segundo a Gartner. Ainda assim, menos de 30% dos líderes dizem que seus CEOs estão satisfeitos com o retorno. Isso, por si só, já mostra onde estamos no gráfico.

Dentro desse cenário, os agentes de IA são os principais alvos da euforia. Aqui, vemos claramente o efeito Dunning–Kruger — quando superestimamos capacidades por não entendê-las por completo. A ordem do debate público tem seguido exatamente esta sequência:

  • 1 - “Os agentes de IA vão substituir seres humanos";
  • 2 - “Os agentes de IA não servem para nada";
  • 3 - “Para determinadas tarefas, os agentes de IA funcionam";
  • 4 - “Consigo usar os agentes de IA em alguns aspectos do negócio".

Ou seja: estamos vivendo o “monte da estupidez”, prestes a cair no “vale da desilusão”. Não é previsão futurista: é comportamento coletivo.

Vibe coding: uma tendência com dois públicos

Outro exemplo é o chamado vibe coding, quando a IA cria código a partir de comandos por linguagem natural. Ferramentas como o Lovable tornam o desenvolvimento “conversável”. Para quem não entende nada de programação, é empolgante; para quem programa, muitas vezes é mais trabalho do que simplesmente escrever o código do zero.

Isso mostra que a velocidade do hype e da desilusão não é igual para todos, porque expectativas diferentes geram quedas diferentes. A mesma ferramenta pode ser solução para alguns e frustração para outros — e é exatamente nesse tipo de nuance que o Hype Cycle serve como bússola.

O que esperar dessa “queda”?

O Hype Cycle não é manual definitivo, mas um mapa de realidade. A queda é inevitável, e, quando ela chegar, vai atingir tanto a percepção pública quanto os investimentos. Empresas que apostaram milhões em promessas que não se sustentam vão sentir o impacto, talvez já a partir de 2026.

Isso significa que os agentes de IA ou o vibe coding vão desaparecer? Não. Significa apenas que precisamos atravessar o “vale” para, depois, descobrir onde essas ferramentas realmente funcionam. Só então veremos o que, de fato, chega ao “platô de produtividade”.

Por isso, minha recomendação é simples: preparem-se para a queda, mas principalmente para a retomada. A parte mais importante desse processo não é o hype, mas o que fica depois dele.

Perguntas Frequentes

O que é o Hype Cycle da Gartner?
O Hype Cycle é um modelo criado pela consultoria Gartner que ajuda a entender como uma tecnologia evolui ao longo do tempo. Ele analisa não apenas o produto em si, mas também o comportamento humano diante da novidade, permitindo prever se uma inovação tende a amadurecer ou desaparecer.
Quais são as fases do Hype Cycle?
O Hype Cycle é composto por cinco fases: 1) Gatilho da inovação, quando a tecnologia surge; 2) Pico das expectativas infladas, quando há muito entusiasmo e promessas; 3) Vale da desilusão, quando as expectativas não se concretizam e muitas soluções desaparecem; 4) Subida da iluminação, quando surgem aplicações práticas; e 5) Platô da produtividade, quando a tecnologia se consolida no mercado.
Por que algumas tecnologias desaparecem após o hype inicial?
Muitas tecnologias são superestimadas no início, gerando expectativas irreais. Quando essas promessas não se concretizam, elas entram no chamado "vale da desilusão", fase em que perdem apoio e investimentos, levando ao abandono ou à restrição a nichos muito específicos.
Toda tecnologia que passa pelo hype está fadada ao fracasso?
Não. Embora muitas inovações desapareçam após o hype, outras conseguem atravessar esse ciclo turbulento e se tornam essenciais. Exemplos históricos incluem automóveis, geladeiras e smartphones, que inicialmente foram vistos com desconfiança, mas hoje são indispensáveis.
Qual é o risco para empresas que investem em tecnologias ainda imaturas?
Empresas que apostam milhões em promessas tecnológicas que não se sustentam podem sofrer impactos significativos, possivelmente já em 2026. Isso ocorre quando a tecnologia não atinge o platô da produtividade e acaba sendo abandonada, gerando prejuízos financeiros e estratégicos.
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