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O Baixaki Jogos sugere temas que deveriam ser mais abordados nos video games.

schedule11/02/2010, às 09:15

Enquanto alguns temas são explorados a exaustão outros acabam ficando deixados de lado. Video games são uma indústria multimilionária, portanto esta se comporta como tal. Desta forma é melhor apostar no “cavalo” que está ganhando para não correr riscos.

Infelizmente este pensamento acaba minimizando a “liberdade criativa” dos desenvolvedores, que optam por temas e estilos já consagrados, cujo apelo já foi confirmado, o que acaba produzindo inúmeros jogos com estruturas similares e temas iguais.

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Mas como fugir do “lugar comum” dentro dos jogos? Simples, vá para um lugar incomum! A resposta é óbvia, mas parece iludir os desenvolvedores que retomam quase que instintivamente os mesmos temas e os mesmos personagens.

Nós queremos por algo novo, uma pessoa desconhecida, um estilo inovador, um conceito diferenciado. Em suma queremos novidades e não a mesmice. Procuramos por jogos que apresentem cenários virgens, ainda não explorados — ou pouco observados nos video games.

 

Cicatrizes da guerra

Vietnã, Iraque, Coréia, Bálcãs...

Por alguma razão absurda os desenvolvedores acreditam que só houve duas guerras em toda a história da humanidade. Você não terá grandes dificuldades para encontrar um jogo de tiro ambientado na Segunda Guerra Mundial, mas tente encontrar um jogo que retrate a Guerra da Coréia, do Vietnã ou até mesmo conflitos mais recentes como a Guerra dos Bálcãs ou a Guerra do Golfo e do Iraque.

PlatoonDe fato, existem alguns poucos jogos que retratam alguns desses conflitos, mas se comparados a quantidade de jogos baseados na Segunda Guerra Mundial a diferença é gritante. Será que o conteúdo é tão controverso assim?

O cinema e a literatura não apresentam tantas restrições assim. A Guerra do Vietnã já foi vastamente abordada por uma série de películas, a Guerra da Coréia já serviu de cenário para um seriado humorístico.

Além disso, se a Segunda Guerra já foi explorada a exaustão porque não mudar o foco. Jogos de guerra devem necessariamente ser jogos de tiro? The Saboteur brincou com a fórmula e mostrou que é possível experimentar novas formas se abordar o tema, além de optar por uma história diferenciada (fora das trincheiras, mas dentro do conflito).

Já estamos cansados de ver pelotões estadunidenses desembarcando nas praias da Normandia, e até mesmo as campanhas russas já são figurinhas carimbadas, mas e quanto ao fronte do pacífico, as batalhas sino-japonesas e a campanha na Oceania? Todos são excelentes cenários para jogos repletos de ação que poderiam ser explorados sem cair na “rotina” da maioria dos jogos de tiro da Segunda Guerra Mundial.

Mas sem sombra de dúvida um dos ambientes mais interessantes e pouco explorados é a Guerra do Vietnã. Quem não gostaria de encarnar o Rambo nas florestas do sudeste asiático, explorar os intrincados túneis vietcongues com um pelotão de jovens desajustados (Platton) ou quem sabe fugir do cativeiro como o lendário coronel das Forças Especiais, James Braddock (o super comando).

Gregos e troianos

Caldeirão borbulhante

Esse caso é semelhante ao da Segunda Guerra. Apesar do mundo estar repleto de culturas e mitologias fascinantes parece que somente as lendas gregas e nórdicas merecem algum destaque nos video games. Heróis, deuses olímpicos e titãs são realmente interessantes, mas porque não abrir um pouco o foco e observar as riquezas do oriente. Lendas, mitologias e outros aspectos culturas do Japão, China, Índia e Arábia (para citar alguns) podem render jogos tão envolventes quanto o afamado God of War.

Ainda temos todo o panteão egípcio, com seus deuses e faraós, sem se esquecer das culturas americanas, dos povos pré-colombianos. O que dizer então do gigantesco panteão sumério-babilônico de Nergal e Tiamat.

E com a recente “moda” de adaptações literárias (Dante’s Inferno) não podemos deixar de lado poemas épicos como a Epopéia de Gilgamesh, e sua busca por imortalidade, ou quem sabe até uma versão do extenso, Mahabharata.

Gilgamesh

Imortalidade

O fardo dos anos

E se você não pudesse morrer? O conceito não é novo e alguns jogos já conseguiram explorá-lo com alguma qualidade, vide o clássico Planescape: Torment e o mais recente, Lost Odyssey. O que apenas reforça o fato de que se trata de um tema interessante, ainda pouco abordado.

Se a ideia de um protagonista imortal já é interessante (eras de conhecimento, de arrependimentos, de alegrias...) a jogabilidade inerente ao conceito pode ser ainda mais. Como construir um jogo desafiador quando você não pode morrer? Não estamos falando de um código secreto que torna o seu personagem indestrutível, mas de uma jogabilidade voltada para o desafio de viver uma existência sem fim.

Franquias consagradas já mostraram algumas possibilidades do conceito (alguém falou “Highlander, O Guerreiro Imortal”), porque não traduzi-lo para os video games.

Steampumk

Distopia tecnológica gótico-vitoriana

Para quem não sabe Steampunk é um subgênero da ficção científica, no qual a realidade proposta gira em torno de uma estética reminiscente da Era Vitoriana (Século XIX). Roupas, tecnologia e costumes da época perduraram, sendo que os avanços da humanidade baseiam-se neste paradigma.

O  PS3 já entrou na onda Steampunk!Engenhocas repletas de engrenagens de bronze e estrutura de madeiras trabalhada funcionam com a força do vapor, que impulsiona os avanços tecnológicos de uma distopia disfarçada de utopia.

Talvez a forma mais fácil de definir o gênero é exemplificando-o, referindo algumas obras que marcaram a sua estética. A graphic novel (e conseqüente adaptação cinematográfica) de "A Liga Extraordinária" é um bom exemplo (recente e “jovem” do estilo Steampunk), o livro e o filme “A Bússola Dourada” é outro bom exemplo.

Talvez o melhor exemplo de todos seja a animação de Katsuhiro Otomo, SteamBoy. Também não podemos esquecer o caricato “As Loucas Aventuras de James West”, bem como os místicos, “O Cavaleiro sem Cabeça” e “Van Hensing”, além dos clássicos, “A Máquina do Tempo”, “20.000 Léguas Submarinas” e “Um Século em 43 Minutos”, entre outros.

Nos video games BioShock mostrou que o gênero tem espaço e capacidade para render boas tramas e cenários para jogos envolventes e divertidos. Ao mesmo tempo Damnation provou que, se mal abordado, a estética e ambientação Steampunk podem transformar-se em uma grande piada.

Mesmo assim, o estilo é válido e o fato de não ter sido extensivamente explorado nos jogos é uma boa razão para que os desenvolvedores elaborem novas aventuras neste mundo. Imagem jogos de aventura em um cenário fantástico como os imaginados pelos autores do gênero (algo como um Assassin's Creed gótico-vitoriano).

Essas são apenas algumas sugestões que podem diversificar um pouco o combalido universo narrativo dos jogos. Temas não faltam certamente vocês também devem ter algumas boas ideias, portanto fiquem a vontade para compartilhá-las com todos deixando o seu comentário.


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