Se você acompanha o TecMundo Games já deve estar ciente das várias discussões sobre cinema e video game. O assunto já rendeu uma série especial de artigos por conta da crescente convergência das duas mídias em questão.
Atualmente os jogos eletrônicos atingiram um estado de desenvolvimento (tecnológico e conceitual) que os tornaram competitivos com relação ao cinema — seja pela capacidade audiovisual ou pelos recursos narrativos —, o que por sua vez deixou as fronteiras entre as duas mídias menos tangíveis, promovendo assim uma troca de conceitos então exclusivos de cada plataforma midiática.
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Continuação "virtual"!
Este fenômeno “transmídia” é evidenciado quando um jogo transmite uma história ou evento com o mesmo impacto e envolvimento que um filme — universos de jogo criativos, intrincados e extremamente envolventes como os das franquias GTA, Fable, Mass Effect e God of War são bons exemplos desse efeito.
Podemos dizer com propriedade que os jogos atuais são capazes de entregar histórias épicas, com grandes efeitos visuais, da mesma forma que o cinema ou a televisão. Assim sendo, nada impede que profissionais capazes de ambas as indústrias cruzem as fronteiras midiáticas e aventurem-se em novos campos.
A ideia não é nenhuma novidade, e alguns diretores de cinema já se arriscaram a trabalhar com jogos, bem como designers de jogo tentaram comandar câmeras de cinema.
John Woo — diretor de filmes como “Missão Impossível 2”, “A Última Ameaça” e “O Outra Face” — entendeu essa “liberdade” como uma forma diferente de contar histórias, produzindo a continuação para o filme “Fervura Máxima” como um jogo de video game, chamado Stranglehold, que também conta a atuação digital de Chow Yun-Fat, protagonista do filme original.
Keiji Inafune (criador de Mega Man) trouxe Dead Rising para a tela prateada com Zombrex: Dead Rising Sun e também não podemos deixar de lado o multifuncional David Bryan Hayter, dublador do Solid Snake e roteirista dos filmes “X-Men”, “Watchmen” e “O Escorpião Rei”.
Outro nome hollywoodiano frequentemente associado aos jogos de video game é o de Steven Spielberg. O diretor de “Os Caçadores da Arca Perdida”, “Jurassic Park”, “O Resgate do Soldado Ryan” e “Guerra dos Mundos” foi o grande responsável pela explosão de jogos de tiro em primeira pessoa ambientados na Segunda Guerra Mundial. Até hoje ele admite ter cometido um grande erro ao ter vendido o conceito por trás da franquia Medal of Honor.
Recentemente, Spielberg também esteve envolvido no desenvolvimento dos jogos Boom Blox — que, apesar de divertidos, não chegam a explorar todo o potencial artístico do famoso diretor estadunidense.
Mas e se Steven Spielberg ou outro diretor de renome resolvesse criar novos jogos de peso; um novo GTA dirigido por Robert Rodrigues (Sin City e Predadores), ou um novo God of War concebido por Peter Jackson? Pois essa a proposta do nosso especial de hoje.
Tim Burton
Protagonistas deslocados contra a normalidade grotesca
A estética gótica bizarra própria do diretor de “Edward Mãos de Tesoura” caberia facilmente em qualquer jogo. As histórias protagonizadas por personagens estranhos e os temas recorrentes na obra de Burton seriam muito bem aplicados em jogos fortemente baseados nos personagens.
O jogo cult do Xbox, Psyconaults, vem à mente, entretanto a criatividade do diretor poderia aflorar com maior facilidade em um point-and-click, como no clássico Manic Mansion —que poderia facilmente passar como um novo projeto cinematográfico do diretor.
Quem sabe uma adaptação de The Melancholy Death of Oyster Boy & Other Stories (lançado em 1997), livro de poemas infantis, escrito e ilustrado por Tim Burton. O humor negro e o tom onírico das fábulas seriam a ambientação perfeita para os devaneios digitais de Burton.
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Guillermo Del Toro
Monstros incríveis, história fantásticas
O mexicano que abusa da fantasia e “weird fiction” (subgênero da ficção especulativa) para metaforizar várias críticas à guerra e à sociedade contemporânea. Filmes como "Blade 2", "Hellboy" e "Labirinto do Fauno" mostram toda criatividade do diretor que foi apadrinhado pelo realizador da trilogia “O Senhor dos Anéis”, Peter Jackson.
Quem já está familiarizado com a filmografia do diretor sabe que a concepção de monstros fantásticos e personagens emocionalmente bem construídos são dois ingredientes que permeiam todas as produções de Guillermo Del Toro. Fatos que o tornam mais do que habilitado para assumir a direção de um jogo de ação/aventura no melhor estilo God of War.
David Cronenberg / George A. Romero / Wes Craven
Zumbis grotescos do mundo dos sonhos
O trio de mestres do horror conta com grandes clássicos do gênero em seus respectivos currículos. George A. Romero é considerado por muitos como o “pai” dos filmes de zumbi, graças à sua franquia “Dos Mortos”, iniciada em 1968 com o clássico “A Noite dos Mortos Vivos”.
Cronenberg pode não ser tão lembrado atualmente, porém nos anos 1980 o diretor canadense assustou a todos com o body horror (subgênero que aposta em imagens grotescas, deformações e muito sangue) de “A Mosca”, “Videodrome - A Síndrome do Vídeo” e “Scanners, Sua Mente Pode Destruir”.
Já Wes Craven é simplesmente o criador da franquia “A Hora do Pesadelo”, e o seu terrível protagonista, Freddy Krugger.
Juntando todos em uma grande panela de vísceras, sangue e criaturas canibalísticas, temos um Survival Horror de primeira linha. As mutações de Dead Space, os zumbis de Resident Evil e o pesadelo de Silent Hill misturados em uma obra assinada por três diretores definiram o mundo do terror no cinema.
Takashi Miike / Quentin Tarantino / Guy Ritchie
GTA – Gangsteres, Tiras e Assassinos
O estilo peculiar de Quentin Tarantino trouxe glamour especial para a vida dos criminosos estadunidenses. Os diálogos perspicazes, a ação embalada por trilhas sonoras de alta qualidade e as boas doses de humor negro elevaram Tarantino ao status de diretor cult. A violência romantizada apresenta pelo diretor tirou os gângsters da sarjeta e lançou-os ao estrelato.
Takashi Miike por sua vez não romantiza nada e coloca torturadores sadomasoquistas da Yakuza na tela para chocar e entreter. Ichi - O Assassino, adaptação do mangá homônimo, é um bom exemplo de ação, sanguinolência e total falta de censura do diretor japonês.
O ex-marido da Madonna, Guy Ritchie, junta-se ao grupo para ligar o ocidente ao oriente. Com o mesmo humor violento de Tarantino e Miike, o diretor de “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes”, “Snatch - Porcos e Diamantes” e “Shelock Holmes”, seria uma bela adição à equipe mais do que adequada para assumir a produção de um jogo nos moldes da série GTA ou Saint's Row.
Michel Gondry / Spike Jonze / Terry Gilliam
Um ex-Monty Phyton, um “suecador” e um Jackass!
A mistura é tão estranha quanto os filmes da cada diretor. Terry Gilliam, ex-integrante da trupe do Monty Phynton, conseguiu criar filmes tão bizarros e engraçados quanto os esquetes do grupo de humor britânico do qual fazia parte.
Michel Gondry fez fama dirigindo clipes musicais de várias bandas de sucesso como The White Stripes, Sonic Youth e The Chemical Brothers, depois resolveu “suecar” (termo cunhado no filme, “Rebobine, por favor”) no cinema.
Spike Jonze, por sua vez, parece ter a carreira mais estranha dos três: praticante de skate, criador e participante do programa Jackass!, diretor de vídeos musicais e de skate e, finalmente, diretor de cinema.
O inusitado trio seria a escolha perfeita para trazer aos video games um jogo extremamente novo. Pense em uma mistura de Super Mario, LittleBigPlanet e qualquer outra coisa totalmente abstrata. A mistura de realidade e fantasia que permeia toda a obra dos três diretores é o ponto de partida para a concepção de um título cujo cenário seria tão surreal quanto a jogabilidade (provavelmente algo envolvendo os novos controles com captura de movimento).
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