Seria possível verificar certa tendência cíclica nas expressões culturais? Alguns teóricos (amadores, em sua maioria) afirmam que sim. E, realmente não seria muito difícil se juntar ao coro. Em relação à indústria fonográfica, por exemplo, é fácil perceber um movimento constante, conforme o novo vira velho e, posteriormente, tende a ser revisto/reinventado/reaproveitado, para que seja considerado novamente algo “moderno”.Isso sem falar na boa e velha calça “boca de sino” (que aparece e desaparece constantemente) e nos mais do que sagrados “muscle cars”, os clássicos V8 americanos “bebedores” — que nem mesmo crises financeiras ou do petróleo são capazes de apagar do imaginário popular. Basicamente, a impressão que fica é que sempre que algo adquire alguns bons anos de história, acaba sendo alçado a uma nova categoria, passando a ser valorizado como relíquia ou mesmo como uma lembrança nostálgica de outros tempos.
Isso poderia acontecer também com a indústria de games? Aparentemente sim. Quer dizer, embora a constante ode aos avanços tecnológicos se mantenha ainda inabalável — com milhares de jogadores hardcore esperando avidamente pelo próximo limite de uma série favorita —, é fácil perceber que existe um viés paralelo que tem colocado novamente em voga títulos já com alguns bons anos nas costas.
Consequência direta de um novo status de “expressão cultural”? Aumento de um público voltado aos jogos casuais? Fato é que hoje as empresas mantém certa tendência em revirar o baú da história dos games para jogar nas redes de distribuição dos consoles dezenas de títulos que marcaram uma, duas ou mesmo várias gerações atrás.
E não fica só nisso. Mesmo as mecânicas e estilos antigos tem sido constantemente trazidos para jogos absolutamente novos, como o belíssimo Braid, o novo/velho Street Fighter IV (uma autêntica e merecida volta às origens, depois de várias pisadas na bola por parte da Capcom) e Geometry Wars, sucesso incontestável da XBLA (Xbox Live Arcade, a rede de distribuição “retrô” do console da Microsoft).
Assim sendo, o TecMundo Games resolveu explorar um pouco mais essa atual tendência do mercado de games. Esse viés que tem feito jogadores de todo o mundo pularem novamente entre plataformas, controlar entidades abstratas (quadrados, linhas, esferas, etc.) e, enfim, supervalorizar títulos que não muitos anos atrás eram considerados simples velharias ultrapassadas pelas tecnologias emergentes.
Do fundo do baú
Quando o velho vira “cult”
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Há alguns anos, conforme ocorriam saltos entre as gerações de videogames, provavelmente não eram muitos os jogadores que, após conseguir um novíssimo Super Nintendo, voltariam para tirar a poeira do seu cansado Nintendinho 8 bits, Master System e, menos ainda, Atari 2600. Afinal, a nova tecnologia batia à porta, com títulos mais complexos e realistas, então porque voltar no tempo?
Não demorou muito para isso mudar. Alguns atribuem isso a popularização dos famigerados emuladores (o que não exatamente agradou aos produtores de jogos, é claro), enquanto que também é inegável que uma corrente mais genérica tem considerado “cult” quase todo tipo de coisa com mais de 20 anos — o que trouxe também muita porcaria de volta, como Barrados no Baile (que me perdoem os fãs de Brandon e Brenda Walsh).
Entretanto, muito material de qualidade também foi salvo do esquecimento por conta desse movimento. Pensando especificamente nos videogames (claro), poderíamos citar:
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Street Fighter II
Street Fighter é uma fórmula que realmente deu certo. Prova disso é o sucesso que a franquia faz até hoje, tanto com jogos novos quanto com aqueles mais empoeirados. Desde o início da recente distribuição online, versões como Street Fighter II: The World Warrior (Virtual Console, Nintendo) e Street Fighter II Hyper Fighting (XBLA) tem sido recordistas em vendas. Por algum motivo, furar camisetas executando “shoriukens” ou “hadoken” nunca deixa de ser divertido.
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Super Mario Bros.
Mario é um ícone incontestável que de fato tem acompanhado a evolução das gerações de consoles (da Nintendo, claro). Entretanto, mesmo com o sucesso relativamente recente de “pedradas” como Super Mario Galaxy e Mario Kart Wii, não são raros os jogadores que gastam até hoje boas horas tentando abrir as lendárias 96 fases de Super Mario World (Virtual Consoles) ou desbravando os circuitos do já idoso Mario Kart 64, utilizando para isso um novíssimo Nintendo Wii. Enfim, Mario é Mario.
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Castlevania
Castlevania é um daqueles raros títulos que, mesmo se mantendo fiel a uma mesma fórmula (um tanto ultrapassada para alguns), conseguiu permanecer no gosto dos jogadores. Quer dizer, mais de vinte anos se passaram desde o lançamento do primeiro título para Nintendinho, e mesmo hoje jogos como Castlevania IV (Virtual Console) fazem um imenso sucesso entre os fãs através da distribuição online da Nintendo.
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Doom
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O primeiro jogo Doom foi lançado em 1993 pela renomada ID Software. Considerado um dos pioneiros no gênero FPS (tiro em primeira pessoa), o título revolucionou a indústria dos jogos com seus gráficos tridimensionais e suporte para expansões personalizáveis.
É claro, toda essa evolução hoje serve mais para mostrar o quanto a indústria de games evoluiu a partir daquele ano, já que provavelmente ninguém que não estivesse escondido em uma caverna por mais de 20 anos se surpreenderia com os gráficos da primeira iteração da franquia. Entretanto, não deixa de ser divertido relembrar a matança dos demônios marcianos (bastando para isso gastar alguns MS Points na XBLA).
É claro, outros tantos ainda poderiam ser citados, como o bom e velho Fatal Fury, o inesquecível Gauntlet II (PSN), Sonic (XBLA), Prince of Persia (PSN e XBLA) entre muitos outros. Afinal, um sinal de que nem tudo é ditado por novíssimas tendências tecnológicas.
Fórmula antiga, revestimento novo
Estilos antigos que continuam ditando moda
Eles não são velhos. Mas também não são novos. Talvez um pouco das duas coisas. Diversos lançamentos recentes tem dado mostra de que mecânicas de jogos já com vários anos nas costas ainda são capazes de dar conta do recado. Quer dizer, só a fórmula original de Tetris gerou até hoje uma descendência de dar inveja a qualquer sultão.
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Mas não se trata apenas de fórmulas/mecânicas de jogo. A própria simplicidade sem compromissos das plataformas antigas tem sido constantemente reaproveitada, sobretudo para atender à enorme demanda por parte dos chamados “jogadores casuais”, que muitas vezes simplesmente não tem muito tempo para gastar em campanhas longas e complexas. É aquela coisa: ligar, divertir-se por alguns minutos, e pronto.
Entretanto, em boa parte das vezes são jogos simplesmente capazes de aproveitar o melhor de várias épocas, trazendo mecânicas clássicas acompanhadas de uma devida adequação aos novos padrões de qualidade gráfica e sonora. Vamos a alguns exemplos.
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Mega Man 9
Mega Man 9 pode ser considerado um título que simplesmente “ignorou” anos de evolução, a contendo dos jogadores saudosistas, é claro. Sequência direta de Mega Man 8 (1996), lançado originalmente para o primeiro PlayStation e para o SEGA Saturn, o jogo lança mão dos mesmos controles, dos mesmos gráficos em 2D e da mesma (inconfundível) mecânica de jogo para dar continuidade aos devaneios megalomaníacos do insano Dr. Wily.
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Braid
Braid é um jogo único. Sucesso incontestável da XBLA, o título dá cores totalmente novas a vários tipos de desafios já bem batidos. Cores vivas e “pinceladas” lembrando muito as obras do holandês Vincent Van Gogh se somam à simplicidade de uma ação em plataforma e a puzzles intrincados e criativos. Enfim, uma mostra clara de que revisitar o passado — pelo menos quando se tem boas idéias na manga — pode mesmo revolucionar o presente.
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Street Fighter IV
Quando o produtor Yoshinori Ono disse que queria que o novo Street Fighter fosse feito a imagem e semelhança de Street Fighter II ele realmente falava sério. Street Fighter IV tem é claro todo o suporte de uma tecnologia muito mais avançada do que aquela disponível quando do lançamento do pioneiro título, mas traz consigo o melhor da simplicidade “hardcore” do início da franquia. Enfim, boa jogabilidade acompanhando gráficos de ponta. Nada mal.
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Geometry Wars: Retro Evolved 2
Os inimigos em Geometry Wars: Retro Evolved 2 consistem em círculos e formas geométricas longilíneas capazes de soltar fragmentos explosivos ou manifestar alterações no campo gravitacional dos corpos da tela. E o seu protagonista? Que tal uma simples esfera que distribui tiros para todos os lados sem nenhum motivo aparente, mas gerando uma das mais notórias diversões “casuais” da atualidade? Simplicidade e eficiência, é isso aí.
É claro, vários outros títulos recentes foram capazes de conseguir uma perfeita sinergia entre o moderno e o clássico. Alguns outros simplesmente nunca deixaram o imaginário dos jogadores, mantendo-se sempre firmes. Você conhece algum? Um título que tenha marcado época e mesmo hoje seja valorizado? Ou quem sabe algum outro que claramente se aproveita de um estilo já antigo, embora travestido de modernidade? O TecMundo Games quer saber a sua opinião.
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