A utilização de ambientações e narrativas histórias em jogos de video game já são uma prática comum. Títulos que acompanham momentos basilares da humanidade trazem para os consoles cenas que mudaram os rumos da sociedade.
Figuras históricas contracenam com o jogador, ou são controlados por você. Cenários como os dos grandes conflitos mundiais e outros combates de proporções épicas são re-transmitidos e reencenados em diversas mídias diferentes: filmes, livros e agora os vídeo games.
Mas qual a real significância da utilização desses cenários, fatos e personagens reais dentro de uma obra de “ficção interativa”, como são os vídeo games. O TecMundo Games pega os livros de história e aprende um pouco mais sobre essa relação com os vídeo games.
Figuras históricas contracenam com o jogador, ou são controlados por você. Cenários como os dos grandes conflitos mundiais e outros combates de proporções épicas são re-transmitidos e reencenados em diversas mídias diferentes: filmes, livros e agora os vídeo games.
Mas qual a real significância da utilização desses cenários, fatos e personagens reais dentro de uma obra de “ficção interativa”, como são os vídeo games. O TecMundo Games pega os livros de história e aprende um pouco mais sobre essa relação com os vídeo games.
Jogo de fato
História e vídeo game
História e vídeo game
Segunda Guerra Mundial, velho-oeste estadunidense, Grécia antiga, império Chinês, Japão feudal, Europa Medieval, Guerra Civil Americana, Guerra Fria, Cruzadas e assim por diante. Esses são apenas alguns poucos exemplos de cenários históricos que já apareceram em jogos de vídeo games.
Essas ambientações servem como base para re-encenações de eventos reais, como nos jogos baseados nos programas do History Channel (canal de televisão paga voltado para produção de exibição de documentários históricos). Além disso, o History Channel também utiliza-se de computer-generated imagery (CGI) em alguns de seus shows — mostrando cenas nunca antes vistas através de gráficos de computador.
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O canal já utilizou-se desse recurso para recriar cenas de batalhas em vários shows diferentes. No programa Batalhas Decisivas, o canal utilizou a mesma engine gráfica do jogo Rome: Total War para apresentar grandes embates como a vitória de Aníbal na batalha de Canas, o confronto de Alexandre, o Grande e Dário III da Pércia em Gaugamela, ou ainda a famosa Batalha de Termópilas e os 300 de Esparta.
Em 2006 o canal voltou a utilizar a tecnologia gráfica dos computadores para recriar cenários históricos, porém desta vez as batalhas eram travadas nos céus. Em Combates Aéreos as técnicas de animação computadorizada recriam momentos culminantes dos combates bélicos com base nos registros reais.
Dentro da história
História em primeira pessoa
Os períodos mais explorados são os de guerra, justamente por conta da sua complexidade e conteúdo — contexto político, intriga internacional e ação no campo de batalha — facilmente traduzido para as mídias interativas.
Jogos como Brothers in Arms: Road to Hill 30 tentaram tirar inspiração para suas tramas diretamente da realidade: no caso o título segue os feitos da 502º Regimento de Para-quedistas da Infantaria, membros da icônica 101ª Divisão Aérea. Enquanto que outras produções como Medal of Honor e Call of Duty, utilizam a ambientação e alguns fatos reais para escrever a sua própria história — deturpando alguns pontos pelo caminho.
Apesar de numerosos e de fama mais retumbante, os jogos de FPS não só os únicos a retratarem a guerra. Títulos de estratégia também abusam do cenário, franquias como Total War, Company of Heroes, Panzer General, Sid Meier's Civil War! e Age of Empires mostraram uma nova forma de observar a história, colocando o jogador na pele dos comandantes e permitindo que você reescreva a história.
Suspensão de descrença
Verdades e mentiras
Alguns jogos não apresentam a pretensão de recriar momentos históricos com apurada precisão. Alguns desenvolvedores apenas apropriam-se do cenário para contar a sua própria história, misturando de forma inteligente realidade histórica com ficção.
Nessa linha duas franquias destacam-se pelo seu esmero e qualidade de trabalho na utilização desse recurso narrativo para prender a atenção do jogador. Assassin’s Creed e Metal Gear Solid contam histórias fantásticas em ambientações reais, bem descritas — mesmo que com alguns erros gritantes.
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Metal Gear Solid 3 usa como pano de fundo os conturbados anos da Guerra Fria. O mundo bi-polar izado que pendia entre EUA e URSS acompanhava com tensão crises políticas como a da Baía dos Porcos em 1962.
No jogo a história real, com direito a vídeos do Premier soviético, Nikita Khrushchev, e do ex-presidente estadunidense, Lyndon Johnson, mostra-se como cenário propício para o desenvolvimento de uma aventura de espionagem totalmente fictícia — com heróis peculiares e personagens fantásticos.
Já em Assassin's Creed a pratica se repete, o período histórico e alguns dos personagens são reais e interagem com o protagonista, este fictício. A ambientação é recriada em detalhes, apesar de conter algumas contradições históricas.
Até mesmo o cômico Manic Mansion: Day of the Tentacle utiliza-se desse artifício — no entanto, de uma forma extremamente caricata — colocando os “pais fundadores” dos Estados Unidos no meio das jornadas temporais de Bernard, Laverne e Hoagie.
Dessa forma, podemos pensar que a utilização desses ambientes e personagens reais, de importância histórica, servem apenas como reforço para a suspensão de descrença dos jogadores, oferecendo assim um cenário fantástico, porém com elementos críveis.
E se...
Quando a história segue um caminho diferente
Os fãs das histórias em quadrinhos da editora Marvel certamente deve conhecer a linha de histórias E Se... que apresentam versões alternativas para a cronologia da editora, propondo respostas diferentes para pontos chave do universo dos heróis Marvel. Por exemplo: E se... o Tio Ben não tivesse morrido?
Partindo do mesmo princípio alguns desenvolvedores resolveram oferecer uma derivação histórica, uma versão alternativa explorando o que poderia ter sido e não o que realmente foi. Entram em cena títulos como Resistance, baseados no mundo de 1950 o jogo mostra uma Europa livre da Grande Depressão e do Social Nacionalismo — mas que no entanto é aniquilado pelos seres parasíticos da Chimera.
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Outras franquias que apostam nessas derivações são Fallout e Command & Conquer, ambos explorando cenários diferentes para momentos chave da história humana moderna e contemporânea. World in Conflict é outro exemplo, ao explorar a escalada da Guerra Fria que chega as vias de fato quando da invasão russa dos Estados Unidos.
Esse jogos partem de uma premissa real e adentram no mundo da ficção explorando as possíveis ramificações de determinados atos. Uma vitória, uma morte prematura, ou até mesmo um simples acidente criam “universos paralelos” que servem de cenário para esses títulos.
O amanhã é passado
Quando o fato vira história
Muito bem, já sabemos que a história é amplamente explorada nos video games — do que realmente aconteceu, até o que nunca veio a se passar. No entanto a história está carregada de sentimentos conflitantes. Já se vão 70 anos do fim da Segunda Guerra Mundial e, no entanto muitas feridas ainda não cicatrizaram.
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Assim fica a pergunta, será que todo evento histórico pode ser retratado nos vídeo games. Será que o mundo está pronto para ver um jogo baseado nos atentados de 11 de setembro? A própria Guerra do Afeganistão e do Iraque parece ser um ponto “quente” demais para ser tocado. Um bom exemplo — e recente por sinal — é o do jogo Six Days in Fallujah. O título retratava uma batalha ocorrida em 2004 durante a Guerra do Iraque e por conta da controvérsia a Konami foi obrigada a cancelar o lançamento do jogo.
Quando é cedo demais? Jogos como Army of Two e as duas iterações da linha Modern Warfare mostram combate em cenários fictícios que obviamente refletem a realidade atual, na qual o conflito acontece entre terroristas, radicais nacionalistas e envolvem forças militares privadas. Essa proximidade é o ponto principal do problema, a Segunda Guerra está tão distante dos jogadores atuais, que dizimar nazistas é um passatempo e não uma lembrança de horrores recentes.
No final das contas, controverso ou não, real ou fictício, fidedigno ou livremente inspirado os jogos que utilizam-se de cenários históricos possuem um apelo todo especial.
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