Exceto se você for um estudioso da história do Leste Europeu, dificilmente você ouviu falar na Revolta de Khmelnitski. Além de possuir um nome quase impossível de ser pronunciado, o conflito ocorrido na antiga República das Duas Nações (região referente à Lituânia, Polônia e outros países próximos) não está presente na grade curricular de nenhuma de nossas escolas. Porém, isso não impede que os acontecimentos sejam aproveitados em obras atuais.
Calma, você não clicou em um link errado, nem foi redirecionado para uma página educativa. Ainda estamos falando de video games. O que acontece é que, para compreender a proposta de Mount & Blade: With Fire & Sword, é preciso ampliar seu repertório cultural.
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A série pode até não ter o mesmo apelo de outros grandes nomes, mas ainda possui seu charme. Em seus dois títulos anteriores, a Taleworlds conseguiu desenvolver uma mecânica que mistura características de diferentes gêneros a fim de recriar uma experiência bélica digna do período retratado. Neste terceiro jogo, somos levados diretamente ao século XVII – o que faz com que encaremos profundas transformações políticas e militares.
A ferro e fogo
Como em todas as guerras, o campo de batalha é o local perfeito para que mercenários façam fama e dinheiro. Se isso ainda é comum em pleno século XXI, o que dizer de algumas centenas de anos no passado? Como a situação no Leste Europeu estava crítica e os feudos se confrontavam constantemente, era de se esperar que aventureiros aproveitassem a situação para se aliar a um ou outro grupo na tentativa de alavancar sua carreira.
Seu personagem é um exemplo de guerreiro que tenta a sorte nas lutas. Enquanto as forças da República das Duas Nações e os rebeldes cossacos se enfrentam pelo domínio da região, você pilha uma aldeia aqui e se alia a um exército acolá – tudo para conseguir prestígio e influência.
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No entanto, esse pano de fundo histórico – ainda que bastante confuso para aqueles que desconhecem o passado polonês – também tem um significado para os fãs: é a primeira vez que a série Mount & Blade aborda uma trama real. Os dois games anteriores trataram de áreas e questões fictícias, o que torna With Fire & Sword ainda mais interessante. Além disso, esta edição também introduz as armas de fogo à franquia, o que evidentemente cria uma mudança considerável na jogabilidade e na forma com que os conflitos são resolvidos.
Realmente é difícil dizer se vale a pena ou não conferir Mount & Blade: With Fire & Sword. Ele tem um estilo diferenciado em relação a outros jogos de guerra, principalmente por oferecer uma experiência com características de vários gêneros. O pano de fundo histórico é ainda mais interessante e faz com que você realmente queira avançar mais e mais.
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Por outro lado, o jogo peca em algo fundamental. Mais do que trazer gráficos precários, o grande erro da Taleworlds é oferecer uma dificuldade demasiadamente elevada para novatos. Mesmo com a adição de armas de fogo, não é fácil enfrentar vários inimigos ao mesmo tempo. Por ser algo comum, fica muito fácil ser derrotado diversas vezes logo de início, o que atrapalha seu crescimento na trama e desanima qualquer jogador.
Desse modo, Mount & Blade: With Fire & Sword se mostra muito mais como um jogo voltado para quem experimentou e se empolgou com os títulos anteriores do que para quem ainda não conhece a série. É claro que isso não impede que novas pessoas se aventurem nas guerras polonesas, mas é nítido que o estúdio preferiu manter o público certo a investir em algo que torne o game atraente para mais gente. É uma pena, pois o enredo e a jogabilidade tinham um grande potencial, que foi desperdiçado por problemas tão simples.
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