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The BRIEF

'Lei Elon Musk': Boulos apresenta projeto que obriga big techs a pagarem usuários

Também apelidada de "Pix das big techs", a proposta prevê a cobrança de uma alíquota de 7% sobre a renda bruta das empresas que faturam acima de R$ 500 milhões anuais.

Avatar do(a) autor(a): André Luiz Dias Gonçalves

schedule24/07/2025, às 09:30

updateAtualizado em 24/07/2025, às 17:09

O deputado federal Guilherme Boulos (PSOL/SP) apresentou ontem (23) um projeto de lei complementar para a taxação das big techs que atuam no Brasil por meio da criação de um novo imposto. A proposta, apelidada de “Lei Elon Musk”, pode afetar empresas como X, Google e Meta, entre outras.

De acordo com o autor, o projeto objetiva garantir a soberania nacional no tratamento dos dados de brasileiros que utilizam os serviços oferecidos pelas gigantes da tecnologia. O anúncio ocorre em meio às tensões comerciais entre o Brasil e os Estados Unidos, após as ameaças recentes de Donald Trump.

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O que propõe a "Lei Elon Musk”?

O PL 157/2025 sugere a criação da Contribuição Social Digital (CSD), que será cobrada das big techs com receita bruta anual acima de R$ 500 milhões. O documento estabelece uma alíquota de 7% sobre o valor arrecadado pelas empresas que se enquadrarem no requisito.

  • A taxação é direcionada às companhias sediadas nos EUA que lucram com publicidade digital a partir da exploração de informações pessoais de usuários brasileiros;
  • 50% do total arrecadado deverá ser devolvido aos usuários das plataformas tributadas, por meio de um novo instrumento de transferência de renda que será criado, medida que rendeu o apelido de “Pix das big techs”;
  • Além disso, 25% serão destinados ao novo Fundo de Infraestrutura Digital Inclusiva (FIDI), financiando sistemas públicos de armazenamento de dados;
  • E os outros 25% irão para a criação de programas de combate às fake news, proteção de dados pessoais e auditorias independentes de algoritmos.

Segundo Boulos, as gigantes da tecnologia estão experimentando um aumento de poder econômico e político que gera “sérios riscos à soberania nacional e à democracia”. Além disso, elas estariam explorando os dados da população sem oferecer qualquer contribuição em troca.

O parlamentar também falou, em sua justificativa, sobre a evasão fiscal que as empresas estariam praticando, com o envio de até 36% de seus lucros para paraísos fiscais. Por fim, ele comentou que o “PL Elon Musk” foi desenvolvido com base em leis semelhantes existentes na Espanha e em Portugal, entre outros países.

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Guilherme Boulos é o autor de um novo projeto para taxar as big techs. (Imagem: Câmara dos Deputados/Reprodução)

E os próximos passos?

Após ser protocolado na Câmara dos Deputados, o PL 157/2025 passará por análises das comissões técnicas da casa. Caso avance por todas as etapas seguintes e seja aprovada, a nova lei terá um prazo de 180 dias para entrar em vigor, contados a partir da data de publicação.

O projeto completo está disponível no site da Câmara, onde também é possível acompanhar o andamento da proposta.

E aí, o que achou dessa proposta do “Pix das big techs”? Dê a sua opinião nas redes sociais do TecMundo.

Perguntas Frequentes

O que é a "Lei Elon Musk" proposta por Guilherme Boulos?
Trata-se do Projeto de Lei Complementar 157/2025, que propõe a criação de um novo imposto chamado Contribuição Social Digital (CSD), voltado para a taxação de big techs que operam no Brasil e faturam mais de R$ 500 milhões por ano. O objetivo é compensar o país pelo uso de dados de brasileiros e fortalecer a soberania digital nacional.
Quais empresas seriam afetadas pela nova taxação?
Empresas de tecnologia com sede nos Estados Unidos que lucram com publicidade digital a partir da exploração de dados de usuários brasileiros, como X (antigo Twitter), Google e Meta, estão entre as potenciais afetadas pela proposta.
Como funcionará a cobrança da Contribuição Social Digital (CSD)?
Será aplicada uma alíquota de 7% sobre a receita bruta anual das empresas que ultrapassarem R$ 500 milhões. Esse valor será redistribuído em três frentes: 50% para os usuários das plataformas, 25% para o Fundo de Infraestrutura Digital Inclusiva (FIDI) e 25% para programas de combate às fake news, proteção de dados e auditorias de algoritmos.
Por que a proposta foi apelidada de "Pix das big techs"?
O apelido surgiu porque metade do valor arrecadado com o novo imposto será devolvido diretamente aos usuários das plataformas tributadas, por meio de um novo mecanismo de transferência de renda, semelhante ao funcionamento do Pix.
Quais são os objetivos principais do projeto segundo o autor?
Guilherme Boulos afirma que o projeto visa garantir a soberania nacional no uso de dados, combater a evasão fiscal das big techs e reduzir a influência econômica e política dessas empresas sobre a democracia brasileira.
O que é o Fundo de Infraestrutura Digital Inclusiva (FIDI)?
É um fundo proposto no PL 157/2025 que receberá 25% da arrecadação da nova contribuição. Seu objetivo é financiar sistemas públicos de armazenamento de dados, promovendo uma infraestrutura digital mais segura e nacionalizada.
Qual é o próximo passo para que a "Lei Elon Musk" entre em vigor?
Após ser protocolado na Câmara dos Deputados, o projeto será analisado por comissões técnicas. Se aprovado em todas as etapas legislativas, a lei entrará em vigor 180 dias após sua publicação oficial.
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