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The BRIEF

Brics prepara lançamento do 'Pix Global' para reduzir dependência do dólar

A tecnologia, também chamada Brics Pay, permitirá transferências instantâneas e seguras entre os países do bloco, de maneira semelhante ao Pix.

Avatar do(a) autor(a): André Luiz Dias Gonçalves

schedule26/08/2025, às 17:41

updateAtualizado em 26/08/2025, às 17:57

Os países integrantes do Brics estão acelerando a implementação do “Brics Pay”, sistema de pagamentos que promete reduzir a dependência do dólar nas transações entre eles, revolucionando o comércio internacional. A novidade tem lançamento previsto para o final de 2025.

Também chamada de “Pix Global”, a solução de pagamentos objetiva tornar as transferências internacionais mais seguras e transparentes, além de menos complexas. A plataforma se destaca, ainda, pelos custos reduzidos e a velocidade nas transações, o que levou a comparações com a tecnologia lançada pelo Banco Central do Brasil em 2020.

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O sistema de pagamentos semelhante ao Pix pode ser adotado pelos países do Brics em breve. (Imagem: Getty Images)

O que é como funciona o Brics Pay?

Desenvolvida em conjunto pelos membros do bloco, a iniciativa é baseada em um sistema descentralizado de mensagens fronteiriças (DCMS) criado pela Universidade Estatal de São Petersburgo (Rússia). A plataforma oferece transações rápidas e seguras, com diferentes protocolos de criptografia.

  • O “Pix do Brics”, outro nome pelo qual o sistema é chamado, opera de maneira independente de um controlador central, diferente do sistema SWIFT, associado a grandes bancos;
  • Tecnologias como blockchain, carteiras digitais e QR Code vão integrar o mecanismo, assim como canais de comunicações entre as autoridades monetárias dos países envolvidos, agilizando as operações;
  • Além do Pix, a solução vai reunir o sistema de pagamento SBP da Rússia, usado por mais de 200 instituições e que realiza transferências a partir de números de telefone;
  • O sistema IBPS da China, com transações em yuan por múltiplos canais, e o UPI da Índia, interface em uso desde 2010, também farão parte.

Com a união desses mecanismos, o Brics Pay se tornará uma plataforma para transações entre os participantes do bloco com liquidação direta nas moedas de cada país, sem a dependência do dólar e do euro como intermediários. Assim, a novidade pode diminuir custos e a exposição a sanções financeiras internacionais.

Na prática, um brasileiro em viagem a um dos países do Brics conseguirá usar os meios de pagamentos com os quais está acostumado, via QR Code, sem depender de outras soluções. O mesmo acontecerá com viajantes dessas nacionalidades durante a passagem pelo Brasil.

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Com o sistema em vigor, brasileiros poderão usar o Pix para pagamentos nos países que participam do Brics. (Imagem: Getty Images)

Planos para 2030

No momento, Rússia e China são os países mais avançados nos testes do Pix Global. O Brasil também tem demonstrado interesse em utilizar a tecnologia nas operações envolvendo exportações agrícolas e de energia para os parceiros do Brics, mas ainda é preciso superar alguns desafios para que isso aconteça.

Quando começar a operar de maneira mais ampla, o que pode acontecer ainda em 2025, a depender de uma série de fatores, o mecanismo também deverá contar com a participação de mais países recém-incluídos ao bloco. Entre eles estão Emirados Árabes Unidos, Etiópia e Indonésia.

A meta do grupo é que o Brics Pay movimente o equivalente a centenas de bilhões de dólares por ano, em 2030, mas sem envolver a moeda americana. Com isso, a plataforma se tornaria o principal canal de transações comerciais entre os países emergentes, como preveem especialistas.

Mas para alcançar esse feito, o bloco terá que lidar com as pressões de países que não integram o grupo e tratam a iniciativa como uma ameaça. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já se manifestou contra projetos do tipo, inclusive ameaçando aumentar as tarifas sobre as importações dos integrantes.

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Perguntas Frequentes

O que é o Brics Pay, também chamado de "Pix Global"?
O Brics Pay é um sistema de pagamentos em desenvolvimento pelos países do bloco Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), com lançamento previsto para o final de 2025. Também conhecido como "Pix Global", ele permitirá transferências internacionais instantâneas, seguras e com custos reduzidos entre os países membros, funcionando de forma semelhante ao Pix brasileiro.
Qual é o objetivo principal do Brics Pay?
O principal objetivo do Brics Pay é reduzir a dependência do dólar e do euro nas transações comerciais entre os países do bloco. A plataforma visa facilitar o comércio internacional com liquidação direta nas moedas locais, tornando as operações mais transparentes, rápidas e menos vulneráveis a sanções financeiras internacionais.
Como o Brics Pay funciona tecnicamente?
O sistema é baseado em uma infraestrutura descentralizada de mensagens fronteiriças (DCMS), desenvolvida pela Universidade Estatal de São Petersburgo, na Rússia. Ele utiliza diferentes protocolos de criptografia e integra tecnologias como blockchain, carteiras digitais e QR Code. Além disso, conecta os sistemas de pagamento já existentes nos países do bloco, como o Pix (Brasil), SBP (Rússia), IBPS (China) e UPI (Índia).
Quais são os benefícios práticos para os usuários do Brics Pay?
Com o Brics Pay, um brasileiro poderá realizar pagamentos em outros países do bloco usando os mesmos meios com os quais já está acostumado, como QR Code, sem precisar de conversão cambial para dólar ou euro. O mesmo vale para cidadãos dos demais países do Brics em visita ao Brasil, o que facilita o turismo e os negócios internacionais.
Quais países estão mais avançados na implementação do Brics Pay?
Rússia e China são os países mais adiantados nos testes do Brics Pay. O Brasil também demonstra interesse, especialmente para uso em exportações agrícolas e de energia, mas ainda enfrenta desafios para adoção plena da tecnologia.
O Brics Pay substituirá o sistema SWIFT?
Embora não seja uma substituição direta, o Brics Pay opera de forma independente do sistema SWIFT, que é controlado por grandes bancos internacionais. Ao adotar uma estrutura descentralizada, o Brics Pay oferece uma alternativa mais autônoma e menos sujeita a pressões externas.
Quais são os planos futuros para o Brics Pay até 2030?
O objetivo do bloco é que, até 2030, o Brics Pay movimente centenas de bilhões de dólares por ano (em equivalência), sem envolver a moeda americana. A plataforma deve se tornar o principal canal de transações comerciais entre países emergentes, incluindo novos membros como Emirados Árabes Unidos, Etiópia e Indonésia.
Há resistência internacional ao Brics Pay?
Sim. Países que não fazem parte do Brics veem o Brics Pay como uma ameaça à hegemonia do dólar. O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já se manifestou contra iniciativas semelhantes, chegando a ameaçar aumentar tarifas sobre importações dos países do bloco.
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