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The BRIEF

Por 'laços com a China', EUA avançam para banir roteadores da TP-Link

Acusações de laços com o governo chinês ganham apoio de agências federais; empresa é líder no segmento de modelos domésticos.

Avatar do(a) autor(a): Nilton Cesar Monastier Kleina

schedule31/10/2025, às 09:30

updateAtualizado em 31/10/2025, às 15:54

A tradicional fabricante de roteadores e outros dispositivos de rede TP-Link está mais próxima de ter a venda de produtos proibida nos Estados Unidos. Uma campanha em andamento contra a companhia ganhou novos e importantes apoiadores.

De acordo com o jornal The Washington Post, ao menos cinco agências federais do país passaram a apoiar a proposta de banir a venda de roteadores da companhia de origem chinesa. O Departamento do Comércio foi o primeiro a sugerir a medida, ainda no final de 2024, agora ao lado de secretarias como as de Segurança Nacional, Justiça e Defesa.

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Até o momento, a Casa Branca não se pronunciou oficialmente sobre o caso. Não há uma previsão para a assinatura de uma ordem executiva ou abertura de um processo formal que leve ao banimento.

Por que a TP-Link está na mira de Trump?

O motivo da possível proibição de roteadores da TP-Link, que tem algo entre 36% e mais de 50% do mercado de venda direta de roteadores para uso doméstico — a maioria deles comprados e instalados por operadoras — envolve preocupações com a proteção digital de consumidores, empresas e governo.

  • A acusação é de que a empresa é um risco para a segurança nacional por supostos laços com o governo chinês de Xi Jinping;
  • Especificamente, os roteadores poderiam ser usados para coletar e direcionar dados sensíveis de conexões para direcionar essas informações à China, ou então explorar vulnerabilidades de segurança na rede para invadir sistemas;
  • Para amenizar as discussões, nos últimos anos a empresa de origem chinesa passou por uma reorganização e se dividiu em duas companhias: a TP-Link Systems e a TP-Link Technologies;
  • O braço Systems atua no mercado dos EUA e internacionalmente, com sede em uma cidade da Califórnia, mas uso de engenharia, design e capacidade de produção ainda na China;
  • O lado Technologies, por outro lado, atua de forma integral e exclusiva no mercado chinês;

Como uma das soluções, a empresa propõe concordar com medidas que incluam investir mais em cibersegurança e transparência, além de transportar mais processos para os EUA.

O que diz a empresa

Em um comunicado oficial enviado ao jornal, um porta-voz da fabricante rejeitou as acusações. Ele reforçou que, na atual organização, não há laços diretos entre os equipamentos e a China.

"A TP-Link vigorosamente discorda de qualquer alegação de que seus produtos representam riscos à segurança nacional para os EUA. A TP-Link é uma empresa estadunidense comprometida em fornecer produtos de alta qualidade e seguros ao mercado dos EUA e além", diz a nota.

A companhia diz ainda que é "sem sentido" acreditar que um banimento seria uma espécie de "moeda de troca" nas negociações comerciais entre EUA e China. "Qualquer ação adversa contra a TP-Link não teria impacto na China, mas prejudicaria uma empresa estadunidense", argumenta o porta-voz.

Os EUA não assinaram um tratado de combate ao cibercrime proposto pela ONU e apoiado pelo Brasil. Saiba mais detalhes sobre o caso nesta matéria.

Perguntas Frequentes

Por que os EUA consideram banir os roteadores da TP-Link?
As autoridades norte-americanas alegam que a TP-Link representa um risco à segurança nacional devido a supostos laços com o governo chinês. A preocupação é que os roteadores possam ser usados para coletar dados sensíveis e direcioná-los à China ou explorar vulnerabilidades para invadir sistemas.
Quais agências dos EUA apoiam o possível banimento da TP-Link?
Pelo menos cinco agências federais apoiam a proposta, incluindo o Departamento do Comércio, Segurança Nacional, Justiça e Defesa. A Casa Branca ainda não se pronunciou oficialmente nem há previsão de uma ordem executiva.
Qual é a participação da TP-Link no mercado de roteadores domésticos?
A TP-Link lidera o segmento de roteadores para uso doméstico nos EUA, com uma fatia de mercado que varia entre 36% e mais de 50%. A maioria desses dispositivos é adquirida e instalada por operadoras.
Como a TP-Link respondeu às acusações?
Em comunicado oficial, a empresa rejeitou as acusações, afirmando que não há laços diretos entre seus equipamentos e a China. A TP-Link se define como uma empresa estadunidense comprometida com a segurança e qualidade dos produtos oferecidos no mercado dos EUA.
O que a TP-Link fez para tentar reduzir as preocupações dos EUA?
A empresa passou por uma reorganização, dividindo-se em duas: TP-Link Systems, com sede na Califórnia e atuação internacional, e TP-Link Technologies, que opera exclusivamente na China. Além disso, propôs investir mais em cibersegurança, transparência e transferir mais processos para os EUA.
O banimento da TP-Link teria impacto direto na China?
Segundo a empresa, não. A TP-Link argumenta que qualquer ação adversa afetaria apenas sua operação nos EUA, sem impacto direto na China, e que seria um prejuízo para uma empresa estadunidense, não uma moeda de troca em negociações comerciais.
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