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The BRIEF

O Brasil ainda está no jardim de infância dos dados?

O que ninguém quer admitir sobre nossa maturidade analítica

Avatar do(a) autor(a): Lucian Fialho - Colunista

schedule05/11/2025, às 18:45

updateAtualizado em 06/11/2025, às 10:00

Todo mundo fala que usa dados, mas quantos realmente usam? Spoiler: menos do que você imagina. Sabe aquela sensação quando você abre o LinkedIn e parece que todo mundo virou "data-driven"? CEO falando de IA, CMO citando MMM, até o estagiário postando sobre Python. Mas aí você vai ver os números reais e... bem, a realidade é outra.

O elefante na sala que ninguém quer encarar

Vamos ser honestos: enquanto o Vale do Silício debate AGI e computação quântica, a maioria das empresas brasileiras ainda não consegue responder perguntas básicas como "qual canal trouxe mais conversões mês passado?" sem passar 3 horas no Excel.

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O gap é brutal. E o pior: muita gente nem sabe que está ficando para trás.

Alguns sinais de que sua empresa pode estar no grupo "faz de conta que é data-driven":

  • Ainda usa Universal Analytics (sim, ainda tem gente usando a versão descontinuada do google, em 2025!)
  • "Dashboard" é sinônimo de planilha colorida
  • A única IA da empresa é o corretor do Word
  • Server-side tracking? “Isso é coisa de big tech”
  • MMM ainda soa como sigla de remédio
  • E o que é Data Lake mesmo?

Por que esse mapeamento importa (e muito)

Diferente daqueles relatórios genéricos traduzidos do inglês, esse panorama do mercado brasileiro de analytics está capturando nossa realidade nua e crua. Estamos falando de:

  • Como empresas REAIS estão implementando IA (spoiler: não é só ChatGPT)
  • Quanto do orçamento vai para dados vs. quanto deveria ir
  • Quais ferramentas dominam o mercado BR (prepare-se para surpresas)
  • O verdadeiro nível de adoção de GA4, CDP, MMM e outras siglas que todo mundo finge entender

Os 3 níveis de maturidade que vamos revelar

Nível 1 - “Achismo Premium” Usa Google Analytics básico, toma decisão por gut feeling mas chama de "experiência de mercado". Acha que ter um dashboard no Data Studio é ser data-driven.

Nível 2 - “Aspirante a Dados” Tem as ferramentas certas mas não sabe usar. Paga fortuna em plataforma de CDP mas usa 10% das funcionalidades. Fala em IA mas o máximo que faz é prompt engineering.

Nível 3 - “Data Ninja” Server-side tracking rodando, MMM calibrado, equipe técnica própria. Usa dados para prever o futuro, não só explicar o passado. Provavelmente menos de 5% do mercado.

O plot twist que ninguém espera

O mais interessante dos dados preliminares? Tamanho da empresa NÃO é o principal fator de maturidade. Tem startup de 20 pessoas rodando stack mais avançado que multinacional de 10 mil.

A diferença? Mentalidade. E é isso que os dados estão escancarando: o problema do Brasil não é falta de tecnologia, é resistência cultural.

O que está sendo descoberto (e por que você deveria se importar)

O mapeamento está coletando dados de empresas de todos os tamanhos e setores. Os participantes recebem:

  • Relatório completo com benchmarks do mercado
  • Sua posição no ranking de maturidade
  • Roadmap personalizado de evolução
  • Acesso ao evento de lançamento com os dados exclusivos

Mas o real valor? Descobrir onde você REALMENTE está — sem filtros, sem ego, sem desculpas.

As perguntas que vão doer (mas precisam ser feitas)

  • Quanto tempo você leva para responder o ROI real de uma campanha?
  • Sua atribuição vai além do last-click?
  • Você confia 100% nos dados que apresenta pro board?
  • Quantas ferramentas de analytics você paga, mas não usa?
  • Sua equipe sabe a diferença entre correlação e causalidade?

A verdade que poucos admitem

O mercado brasileiro tem uma característica peculiar: somos ótimos em adotar buzzwords, péssimos em implementação. Todo mundo quer ser "data-driven", mas poucos querem investir o tempo, dinheiro e (principalmente) mudança cultural necessária.

Esse tipo de pesquisa não é só mais um relatório bonito em PDF. É um espelho. E dependendo do que você ver refletido, pode ser o wake-up call que muitas empresas precisam.

O que vem por aí

O Panorama Digital Analytics 2025 ainda está coletando dados até o final de novembro. Para quem tem curiosidade sobre onde sua empresa realmente está no espectro de maturidade, a participação ainda está aberta.

Os resultados completos serão divulgados em dezembro, prometendo algumas revelações desconfortáveis sobre o real estado da transformação digital no Brasil.

P.S.: Se você chegou até aqui e ainda acha que sua empresa está bem na foto, tenho uma notícia: estatisticamente, 95% das empresas se autoavaliam acima da média. Faça as contas.

P.P.S.: Sim, os dados vão revelar quais setores estão mais avançados. Spoiler: varejo e financeiro brigando no topo, mas tem uma dark horse que ninguém espera...

 

O Panorama Digital Analytics 2025 é uma pesquisa independente sobre maturidade analítica no Brasil, com participação de mais de 500 empresas. Os dados são tratados de forma agregada e anônima.

Perguntas Frequentes

O que significa dizer que o Brasil está no "jardim de infância dos dados"?
Essa expressão é usada para ilustrar o baixo nível de maturidade analítica da maioria das empresas brasileiras. Enquanto mercados mais avançados discutem temas como inteligência artificial geral (AGI) e computação quântica, muitas empresas no Brasil ainda enfrentam dificuldades para responder perguntas básicas com dados, como identificar o canal de marketing mais eficiente.
O que é ser realmente "data-driven" e por que tantas empresas só fingem ser?
Ser "data-driven" significa tomar decisões baseadas em dados concretos e análises consistentes. No entanto, muitas empresas apenas adotam a linguagem e as ferramentas da área sem usá-las de forma eficaz. Exemplos incluem o uso de dashboards que são apenas planilhas coloridas ou a contratação de plataformas avançadas sem explorar suas funcionalidades.
Quais são os três níveis de maturidade analítica identificados na pesquisa?
A pesquisa classifica as empresas em três níveis: (1) "Achismo Premium", que toma decisões com base em intuição e usa ferramentas básicas; (2) "Aspirante a Dados", que possui boas ferramentas mas não sabe utilizá-las plenamente; e (3) "Data Ninja", que domina tecnologias como server-side tracking e modelagem de mix de marketing (MMM), utilizando dados para prever cenários futuros.
O tamanho da empresa influencia na maturidade analítica?
Surpreendentemente, não. A pesquisa mostra que o fator determinante é a mentalidade da empresa, não seu porte. Há startups pequenas com estruturas analíticas mais avançadas do que grandes multinacionais. Isso revela que o principal obstáculo é cultural, e não tecnológico.
Quais são os principais sinais de que uma empresa não é tão data-driven quanto pensa?
Alguns indícios incluem o uso de ferramentas desatualizadas como o Universal Analytics, confundir dashboards com planilhas coloridas, desconhecimento de conceitos como server-side tracking ou Data Lake, e uso limitado de inteligência artificial, restrito a corretores automáticos ou prompts simples.
O que é o Panorama Digital Analytics 2025 e por que ele é relevante?
É uma pesquisa independente que avalia a maturidade analítica de empresas brasileiras, com mais de 500 participantes. Ela oferece um retrato realista do mercado, benchmarks, posicionamento no ranking de maturidade e um roadmap personalizado. O objetivo é ajudar empresas a entenderem onde realmente estão e como evoluir.
Quais perguntas difíceis a pesquisa propõe que as empresas se façam?
A pesquisa incentiva reflexões como: quanto tempo leva para calcular o ROI real de uma campanha? A atribuição vai além do último clique? Os dados apresentados ao board são confiáveis? Quantas ferramentas são pagas mas não utilizadas? A equipe entende a diferença entre correlação e causalidade?
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