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The BRIEF

Caso Nubank: entenda a polêmica que causou demissões por justa causa

O banco digital vai adotar o modelo híbrido a partir do segundo semestre de 2026, o que desagradou a alguns dos contratados.

Avatar do(a) autor(a): André Luiz Dias Gonçalves

schedule10/11/2025, às 16:00

updateAtualizado em 11/11/2025, às 10:27

O Nubank anunciou, na última sexta-feira (07), a demissão de 12 funcionários após uma tensa conferência online que tratava das mudanças no regime de trabalho da empresa, realizada um dia antes com mais de 7 mil pessoas. De acordo com a empresa, comportamentos de “desrespeito e violações de conduta” não são tolerados.

 Permitindo que os funcionários compareçam ao escritório apenas uma semana a cada trimestre, atualmente, a fintech passará a exigir o trabalho presencial duas vezes por semana a partir de julho de 2026, aumentando para três dias em janeiro de 2027. Porém, nem todos ficaram satisfeitos com as novas regras.

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No momento, o Nubank adota o modelo de trabalho remoto, majoritariamente. (Imagem: FG Trade/Getty Images)

Como tudo começou

Em um primeiro momento, a mudança do trabalho remoto para o híbrido foi comunicada à equipe em um email assinado pelo CEO do banco digital, David Vélez

Na mensagem, ele reconheceu a prosperidade do modelo à distância, adotado em 2020 na pandemia, mas argumentou sobre a necessidade da alteração.

  • O executivo afirmou, no texto, que a alteração poderia ser difícil para alguns trabalhadores e, por isso, deu um prazo maior para a adaptação;
  • Ele também comentou que a fintech vai reformar os escritórios, deixando-os “vibrantes” para receber os funcionários;
  • A mensagem cita, ainda, a construção de novos escritórios em cidades como Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ) e Campinas (SP), além de mais unidades em São Paulo (SP);
  • Mais unidades no exterior também devem ser inauguradas, contemplando locais como Buenos Aires (Argentina), Miami (EUA), Palo Alto (EUA), Washington (EUA), Cidade do México (México) e Bogotá (Colômbia).

Quem trabalha nos setores de atendimento ao cliente, auxílio a investimentos, investigações de crimes financeiros, rótulo de dados, soluções regulatórias, RH voltado para o recrutamento de talentos e ouvidoria poderá continuar no modelo atual. Nesses casos, não haverá obrigatoriedade de comparecer ao escritório semanalmente.

O Nubank disse que mais exceções poderão ocorrer, baseando-se em exigências médicas e outras particularidades, assim como o histórico e o desempenho de cada funcionário. Em alguns casos, o banco oferecerá auxílio-realocação, se for necessário mudar de cidade.

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O CEO do Nubank ficou assustado com as reações dos funcionários durante a reunião online. (Imagem: Nubank/Divulgação)

Reunião online tensa

Para explicar as mudanças, Vélez convidou os contratados para uma reunião na quinta-feira (06), que poderia ser frequentada presencialmente ou online, por meio do app Zoom, na qual responderia às dúvidas. Cerca de 7 mil dos 9,5 mil funcionários participaram do encontro.

De acordo com o Estadão, o encontro online contou com pessoas exaltadas após receberam as notícias. Em meio à transmissão, alguns trabalhadores começaram a postar mensagens ofensivas contra o CEO, reclamando da obrigatoriedade de passar do trabalho remoto para o híbrido, afirmando que preferiam continuar no modelo atual.

Os reclamantes também propuseram revogar as novas regras imediatamente e chegaram a se exaltar enquanto tentavam defender seus argumentos. Palavrões teriam surgido em meio ao debate acalorado, assustando muitos dos participantes e o próprio executivo.

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Na conferência online, alguns funcionários reclamaram da necessidade de mudança de cidade e de privilégios para quem reside na região Sudeste. (Imagem: NickyLloyd/Getty Images)

Demissões e reações

No dia seguinte da videoconferência, o Nubank demitiu 12 funcionários envolvidos nos tumultos. Em resposta ao TecMundo, a empresa confirmou que os desligamentos foram realizados por justa causa, que é quando há indisciplina ou outra infração grave prevista em lei. A modalidade gera a perda de alguns direitos rescisórios. 

Em novo email enviado aos contratados, Vélez explicou que foi uma decisão difícil, “mas necessária”.

“Infelizmente, ontem, testemunhamos comentários inaceitáveis em nosso chat no Zoom, que é um canal corporativo e exige um comportamento profissional. Essas ações envenenam nosso ambiente e impactam todos os funcionários que estão tentando se envolver respeitosamente”, diz trecho do comunicado. Outros funcionários devem receber advertências por escrito.

As demissões no Nubank geraram reação imediata do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região. A entidade afirma que está acompanhando o caso e mantém contato com a direção da empresa na tentativa de discutir as dispensas.

“O Sindicato exige que as demissões sejam revistas e que a empresa garanta que ninguém seja punido por expressar sua opinião ou protestar diante de uma decisão que o afeta diretamente”, escreveu a presidente do sindicato, Neiva Ribeiro, no LinkedIn.

O assunto também rendeu discussões nas redes sociais. Um dos posts mais comentados no X foi da deputada Erika Hilton, comparando a mudança a medida do banco com a de uma fabricante de sacolas de lixo que acabou com a escala 6x1 e implantou a jornada de 36 horas semanais. “Só uma dessas empresas está sendo, verdadeiramente, inovadora e moderna”, disse ela.

Outro lado

Em contato com o TecMundo, o Nubank afirmou que preza pelo debate e possui canais abertos para discussões em bom nível. 

“O Nubank reafirma que trabalha para preservar canais e rituais abertos para o livre debate entre seus funcionários, mas não tolera desrespeito e violações de conduta. O Nubank não comenta casos individuais de desligamento”.

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Perguntas Frequentes

O que motivou as demissões por justa causa no Nubank?
As demissões ocorreram após uma reunião online com mais de 7 mil funcionários, na qual alguns participantes se exaltaram e publicaram mensagens ofensivas contra o CEO, David Vélez, em protesto contra a mudança do regime de trabalho remoto para híbrido. O Nubank alegou que houve "comentários inaceitáveis" e "violações de conduta", o que levou à demissão de 12 pessoas por justa causa.
Quais são as mudanças no regime de trabalho anunciadas pelo Nubank?
Atualmente, o Nubank adota majoritariamente o modelo remoto, com exigência de comparecimento ao escritório apenas uma semana por trimestre. A partir de julho de 2026, será exigido trabalho presencial duas vezes por semana, aumentando para três dias semanais em janeiro de 2027. A mudança visa maior integração e colaboração entre equipes.
Todos os funcionários do Nubank serão obrigados a seguir o novo modelo híbrido?
Não. Algumas áreas, como atendimento ao cliente, investigações de crimes financeiros, rotulagem de dados, soluções regulatórias, RH de recrutamento e ouvidoria, poderão continuar no modelo remoto. Além disso, exceções poderão ser feitas com base em condições médicas, desempenho e histórico profissional.
Como o Nubank comunicou a mudança aos funcionários?
A mudança foi inicialmente comunicada por e-mail assinado pelo CEO David Vélez, que reconheceu os benefícios do trabalho remoto, mas defendeu a necessidade de maior presença física. Ele também anunciou reformas nos escritórios e a construção de novas unidades no Brasil e no exterior para acomodar a nova política.
Qual foi a reação dos funcionários durante a reunião online?
Durante a reunião, muitos funcionários demonstraram insatisfação com a mudança, especialmente aqueles que teriam que se mudar de cidade. Alguns se exaltaram, usaram palavrões e pediram a revogação imediata das novas regras, o que gerou desconforto entre os participantes e o CEO.
O que significa demissão por justa causa e quais são suas implicações?
A demissão por justa causa ocorre quando o empregado comete uma infração grave, como indisciplina ou desrespeito, conforme previsto na legislação trabalhista. Nesse caso, o funcionário perde alguns direitos rescisórios, como aviso prévio e parte do FGTS.
Houve reação sindical às demissões no Nubank?
Sim. O Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região se posicionou contra as demissões e afirmou estar em contato com a empresa para discutir o caso. A entidade defende que ninguém deve ser punido por expressar sua opinião sobre decisões que impactam diretamente seu trabalho.
Como o Nubank se posicionou após a repercussão do caso?
O Nubank afirmou que valoriza o debate e mantém canais abertos para discussões respeitosas, mas não tolera desrespeito ou violações de conduta. A empresa não comentou casos individuais de desligamento, mas reforçou a importância de manter um ambiente profissional nos canais corporativos.
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