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The BRIEF

A lenda do Metaverso e a realidade virtual aumentada (nem tanto)

Apesar do fascínio imersivo e de telas 8K, o Metaverso e o Vision Pro enfrentam a barreira do peso, preço e falta de apps, abrindo caminho para a realidade aumentada.

Avatar do(a) autor(a): Piero Contezini - Colunista

schedule12/11/2025, às 18:00

updateAtualizado em 06/02/2026, às 08:42

Me lembro até hoje da primeira vez que vi o filme Hackers. Em uma das cenas, ZeroCool, o “herói”, entra no mainframe e anda por dentro do sistema de arquivos como se estivesse caminhando por blocos de quadras, navegando em um ambiente tridimensional de cair o queixo, especialmente para a época.

Aquela imagem ficou na minha cabeça como o “futuro da computação”, que só teria uma nova apresentação à altura com Matrix, o live action altamente adaptado de Neuromancer, talvez o primeiro livro a falar de realidade virtual e de como isso poderia potencialmente mudar a forma como a humanidade lida com o espaço à sua volta.

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Muitos anos depois, em uma feira de tecnologia em Joinville, tive a oportunidade de usar um dos primeiros óculos de realidade virtual existentes para jogar Doom, isso por volta dos anos 2000 e confesso que foi muito decepcionante. Tive um ataque de vertigem fulminante, com direito a enjoos e sem conseguir ficar em pé e precisando ir para a enfermaria do local.

Passei muitos anos sem nem querer ver isso na minha frente, até que, novamente, parei diante de um kit do Oculus nos Estados Unidos. Pude testar o equipamento e entender, com bastante precisão, a lógica de um jogo em primeira pessoa.

Fiquei muito impressionado com a experiência na época e até pensei em trazer um para o Brasil, mas descobri que não funcionaria, pois era válido apenas para uso em território americano. Achei melhor esperar o lançamento por aqui.

Nas minhas idas e vindas para a terra do Tio Sam, acabei agendando uma demo do Vision Pro há pouco mais de dois anos. Lembro de sair de lá completamente chocado com a experiência; liguei para o meu irmão na hora dizendo que compraria um, independentemente do custo altíssimo e mesmo com o vendedor deixando claro que provavelmente não funcionaria em casa. Me sentia como uma criança que vê, pela primeira vez, um novo parque de diversões, com possibilidades infinitas.

Dois dias depois, eu estava no hotel cortando frutas com uma espada virtual, a ponto de estragar coisas ao redor, sem nem perceber, por horas a fio, ignorando completamente o mundo lá fora e muito feliz por isso.

Mas, como um bom early adopter, enfrentei o problema da tecnologia ao voltar para casa: o peso dos óculos, quase 500 gramas, me causou diversas dores no pescoço e no ombro, o que limitou bastante o uso por muito tempo, sem o apoio adequado.

O que mais me encanta até hoje é a possibilidade de converter os óculos em um monitor 8K de mais de 10 metros à minha frente, em qualquer lugar onde eu precise de uma tela grande, o que, para ser sincero, é um uso um tanto limitado para a tecnologia.

Além disso, dado o seu preço, a quantidade de aplicativos que realmente utilizam as capacidades do equipamento ainda é muito baixa. Hoje, quase dois anos após o lançamento, não sei se existem cem aplicativos que consigam explorar todas as funcionalidades do dispositivo, misturando as realidades e criando experiências verdadeiramente unificadas.

Talvez o maior exemplo disso seja um aplicativo em que você pode testar qualquer produto antes de comprar, colocando um modelo 3D dele no local desejado, na sua casa, e vendo como ele ficaria. Há alguns jogos muito divertidos e a experiência fantástica de ver uma tela gigante à sua frente para assistir a filmes e jogar, totalmente imerso em outros ambientes, como numa praia de Bora Bora ou até na Lua que é o meu favorito.

A ideia de óculos de realidade virtual realmente utilizáveis, neste momento, parece um desafio tecnológico devido às limitações atuais. Mas acredito que estamos prestes a ver avanços nesse sentido com a realidade aumentada, que tem como principal objetivo não ser totalmente imersiva.

Quem começou com isso lá atrás foi o Google Glass, um produto superinteressante, mas com pouca qualidade visual na projeção. Recentemente, a Meta lançou a segunda versão dos seus óculos em parceria com a Ray-Ban, prometendo entregar o que talvez o Vision Pro tentou: juntar as duas ideias, porém de maneira eficaz.

Resta mesmo entender se a mudança da realidade virtual para a aumentada vai manter a usabilidade do produto e, ao mesmo tempo, resolver os problemas que ninguém conseguiu superar até agora. Como disse o próprio Tim Cook, pela primeira vez em uma década, eles ganharam um concorrente à altura em novas tecnologias voltadas ao consumidor final.

Perguntas Frequentes

O que é o Metaverso e por que ele fascina tanto?
O Metaverso é uma representação digital imersiva onde os usuários podem interagir em ambientes tridimensionais. Ele fascina por prometer uma nova forma de vivenciar a computação, como mostrado em filmes como "Hackers" e "Matrix", que apresentaram visões futuristas de navegação digital em 3D. Essa ideia de imersão total continua a atrair o imaginário coletivo, mesmo que a realidade atual ainda enfrente limitações técnicas e práticas.
Quais são os principais obstáculos enfrentados por dispositivos como o Vision Pro?
Apesar da experiência imersiva e da qualidade visual impressionante, como telas 8K, dispositivos como o Vision Pro enfrentam barreiras significativas: o peso dos equipamentos, o preço elevado e a escassez de aplicativos compatíveis. Esses fatores dificultam a adoção em larga escala e limitam seu uso prático no dia a dia.
Qual foi a evolução da realidade virtual desde os anos 2000?
Nos anos 2000, os primeiros óculos de realidade virtual causavam desconforto físico, como vertigem e enjoo, tornando a experiência decepcionante. Com o tempo, tecnologias como o Oculus melhoraram significativamente a imersão e a lógica de interação, especialmente em jogos em primeira pessoa. Ainda assim, limitações como compatibilidade regional e usabilidade continuaram sendo desafios.
Por que a realidade aumentada pode ganhar espaço em relação ao Metaverso?
A realidade aumentada, que sobrepõe elementos digitais ao mundo real, pode se tornar mais viável que o Metaverso por exigir menos recursos e oferecer aplicações mais práticas. Enquanto o Metaverso depende de ambientes totalmente virtuais e equipamentos pesados, a realidade aumentada tende a ser mais leve, acessível e integrada ao cotidiano.
O que motivou o autor a se interessar novamente por realidade virtual após uma experiência negativa?
Após anos evitando a realidade virtual devido a uma experiência traumática com vertigem, o autor voltou a se interessar ao testar um kit do Oculus nos Estados Unidos. A qualidade da imersão e a compreensão clara da lógica dos jogos em primeira pessoa o impressionaram, reacendendo seu entusiasmo pela tecnologia.
Qual foi a reação do autor ao testar o Vision Pro?
O autor ficou completamente impressionado com a experiência proporcionada pelo Vision Pro, comparando-a à sensação de uma criança em um parque de diversões. Apesar do alto custo e da possibilidade de o dispositivo não funcionar em casa, ele considerou a compra imediatamente após o teste, tamanha foi a empolgação.
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