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The BRIEF

A Lei de Amodei: por que seu modelo de IA envelhece 10 anos em 3 meses

A Lei de Amodei define a obsôlescencia da IA, onde o poder computacional dobra a cada 3,4 meses e a liderança técnica de modelos dura apenas o tempo de um press release.

Avatar do(a) autor(a): Harold Schultz

schedule24/11/2025, às 18:45

updateAtualizado em 05/02/2026, às 08:36

No ano passado, durante a minha certificação na Singularity University, meu professor Michael Housman soltou uma frase que, na época, soou como hipérbole de palco:

“Para a IA, o que aconteceu ano passado é como se tivesse acontecido há uma década.”

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Essa semana, enquanto eu rascunhava esta coluna, a realidade provou que ele estava sendo conservador.

Comecei a escrever focado no lançamento do Gemini 3, que pegou o mercado de surpresa liderando todos os benchmarks possíveis. Mas, se eu tivesse publicado aquele rascunho, ele já estaria obsoleto hoje.

Num intervalo de dias — não anos, dias — vimos o lançamento do Grok 4.1 e, nesta segunda-feira, do Opus 4.5.

Embora no meu "Benchmark Harold" (o uso no mundo real) eu continue preferindo o Claude pela usabilidade, os números brutos mostram algo assustador: a liderança técnica agora dura apenas o tempo de um press release.

A profecia de 2018

Para entender o que está acontecendo, precisamos voltar a 2018. Dario Amodei, hoje CEO da Anthropic (mas na época pesquisador da OpenAI), escreveu um post seminal.

Lá, ele cravou: o poder computacional para treinamento de IA não segue a Lei de Moore. Ele dobra a cada 3,4 meses.

Na época, parecia teoria. Hoje, é a regra que dita o ritmo do mercado.

Sinais de campo

Olhe para os dados que estamos vendo agora. A velocidade é vertical.

1. Julho (há meros 4 meses): O Grok 4 era o estado da arte. Ele alcançou 15,9% em um benchmark de alta complexidade. Era quase o dobro do segundo colocado. Parecia imbatível.

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2. Hoje: A barra de corte desse mesmo benchmark já saltou para a casa dos 40%.

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O Gemini 3 Deep Thinking (com um custo computacional absurdo, é verdade) está lá na ponta. O Opus 4.5 colou nele em questão de dias.

Estamos vendo modelos dobrarem sua capacidade de processamento e qualidade a cada trimestre. O que antes era uma evolução geracional de software, agora acontece entre uma estação do ano e outra.

O loop infinito

Por que essa aceleração inconcebível?

Porque não somos mais apenas nós, humanos, escrevendo as regras. É a IA construindo a próxima geração de IA. Entramos num ciclo de feedback positivo onde ferramentas mais inteligentes criam arquiteturas ainda mais inteligentes.

Conclusão

É difícil visualizar o futuro quando o presente muda toda segunda-feira. Mas uma coisa é certa: a obsolescência não é mais sobre "não usar tecnologia", é sobre "qual versão" você está usando.

O gráfico de evolução deixou de ser uma curva suave para se tornar uma parede vertical.

A pergunta que eu deixo para você nesta semana é:

O seu negócio está desenhado para um mundo que muda a cada 10 anos, ou você já tem agilidade para pivotar a cada 3,4 meses?

Perguntas Frequentes

O que é a Lei de Amodei?
A Lei de Amodei é uma observação feita por Dario Amodei, atualmente CEO da Anthropic, que afirma que o poder computacional utilizado para treinar modelos de inteligência artificial dobra a cada 3,4 meses. Isso contrasta com a tradicional Lei de Moore, que previa a duplicação do poder computacional a cada dois anos. Essa nova dinâmica acelera drasticamente o ritmo de evolução da IA.
Por que os modelos de IA se tornam obsoletos tão rapidamente?
Devido à rápida evolução do poder computacional e ao ritmo acelerado de lançamentos, os modelos de IA perdem sua liderança técnica em questão de dias. A frase "a liderança técnica agora dura apenas o tempo de um press release" ilustra como novos modelos superam os anteriores quase imediatamente após seu anúncio.
Qual é o impacto prático da Lei de Amodei no mercado de IA?
A Lei de Amodei impõe um ritmo vertiginoso de inovação, tornando difícil acompanhar os avanços. Modelos que eram considerados estado da arte há poucos meses rapidamente se tornam ultrapassados, exigindo que empresas e profissionais se adaptem constantemente às novas tecnologias e benchmarks.
O que significa "Benchmark Harold" mencionado no texto?
"Benchmark Harold" é uma expressão usada pelo autor para se referir ao uso prático e cotidiano de modelos de IA no mundo real, em contraste com benchmarks técnicos e laboratoriais. Mesmo que um modelo tenha os melhores números, sua usabilidade no dia a dia pode ser mais relevante para o usuário final.
Como a velocidade de evolução da IA foi demonstrada recentemente?
Em poucos dias, o mercado presenciou o lançamento de três modelos de ponta: Gemini 3, Grok 4.1 e Opus 4.5. Cada um superou o anterior em benchmarks técnicos, evidenciando a velocidade quase diária com que a liderança muda no setor de IA.
O que aconteceu com o Grok 4 em apenas quatro meses?
Em julho, o Grok 4 era considerado o estado da arte, com desempenho de 15,9% em um benchmark de alta complexidade, quase o dobro do segundo colocado. No entanto, em apenas quatro meses, ele foi superado por novos modelos, ilustrando a obsolescência acelerada na IA.
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