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The BRIEF

Motorola quase morreu, agora volta a mirar no topo! Qual o plano?

Da crise sob Google e Lenovo à aposta premium com IA e dobráveis em 2026: entenda a incrível reviravolta da Motorola no mercado.

Avatar do(a) autor(a): Leonardo Rocha

schedule10/03/2026, às 12:00

updateAtualizado em 10/03/2026, às 12:17

Você consegue imaginar o mercado brasileiro de celulares sem a Motorola? Se a sua resposta é não, entendo perfeitamente. Afinal, eles estão há muitos anos seguramente se alternando entre o segundo e o terceiro lugar no pódio de marcas mais vendidas de smartphone no nosso país inteiro. Só que o que muitos de nós não ficou sabendo é que essa mesma Motorola passou por momentos bastante turbulentos ao longo das suas várias décadas no mercado de celulares.

Em 2026, após anos de hiato seguidos de investidas mais comedidas no setor de aparelhos de ponta, a empresa parece ter finalmente decidido a apostar com força no segmento premium. A linha Signature, pensada para disputar quem deseja um aparelho mais luxuoso, e o Razr Fold, que busca atrair os entusiastas dos dobráveis mais caros, não deixam dúvidas de onde a Motorola está mirando: ela quer voltar à liderança.

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Para entender o peso do momento atual, é necessário saber como a marca sobreviveu a compras, trocas de comando e crises de identidade que quase a levaram a ser apagada no mercado internacional. A retomada recente no segmento premium pode ser o caminho da Motorola para voltar ao topo de verdade não só no Brasil, mas no mundo.

Como a pioneira dos celulares foi parar à beira do abismo nos anos 2000?

Muito antes dos smartphones, a Motorola já era pioneira nos celulares. Foi ela que realizou a primeira chamada telefônica a partir de um aparelho do tipo, lá em 1973, e, dez anos depois, também foi deles o primeiro telefone celular a ser vendido no mercado, o DynaTAC 8000X. Nos anos 90, ela ainda era a líder do mercado, mas competidores como a Nokia já vinham ganhando reputação e espaço, especialmente como a opção barata e confiável para chamadas e mensagens de texto. Do outro lado, a Blackberry conquistava o segmento de alto custo, principalmente entre o público dos empresários. Nós já contamos essa História em mais detalhes no nosso quadro de História da tecnologia, então vou deixar um link aí embaixo e resumir.

Lá para 2003, a Motorola estava em problemas sérios. Não só a Nokia já tinha tomado o primeiro lugar há alguns anos, mas outra concorrente difícil estava em ascensão lá do outro lado do mundo, na Coreia do Sul. Sim, a Samsung, que mesmo na época antes dos smartphones já lançava celulares que eram vistos como promissores, exibindo um potencial da empresa para eventualmente ultrapassar até a vendas somadas de Motorola e Nokia. 
Foi desse momento de desespero, aliás, que se originou o Motorola Razr original, que representou uma aposta ousada da empresa em design mais arrojado que se tornou verdadeiramente icônico. E isso rendeu ao aparelho sucesso mundial. Eu mesmo tive um V3 na adolescência e era completamente apaixonado por ele.

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Só que as boas vendas da linha Razr não foram o suficiente. Nos bastidores, a Motorola se encontrava em posição financeiramente instável, e as transformações dos anos seguintes não facilitaram as coisas. 

Qual foi o impacto do iPhone e por que a Motorola foi dividida em duas?

Em 2007, Steve Jobs subiu ao palco do evento MacWorld da Apple e revelou o primeiro iPhone. Não, o lançamento da maçã não foi o primeiro smartphone do mercado, mas foi sim algo transformador, que conseguiu capturar a atenção do público, espalhar a compreensão de o que um smartphone poderia fazer, e estabelecer o caminho que o mercado precisaria seguir dali para a frente.

Na época, mesmo na Nokia, que liderava o mercado com quase 20% de vantagem sobre Motorola e Samsung, os executivos já discutiam como aquele dispositivo versátil e sua tela sensível ao toque iriam transformar tudo. Para a Motorola, a situação era ainda pior: o Razr já estava oficialmente ultrapassado, outros lançamentos da marca não atingiam sucesso comercial e a empresa vinha dando prejuízos bilionários.

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A solução encontrada na época foi dividir da companhia em duas. De um lado, a Motorola Solution, focada em dispositivos de comunicação como rádios e outros aparelhos muito utilizados por serviços de emergência, por exemplo. Esse pedaço da empresa seguiu para dominar esse mercado, mas não mais diretamente relacionada à divisão de celulares. Do outro lado, a Motorola Mobility, com o negócio de celulares que passava por uma verdadeira hemorragia de dinheiro. Pedaços da Motorola original começaram então a ser vendidos, com a divisão de celulares sendo comprada pela Google em 2012.

O que a Google queria com a Motorola e qual foi seu maior legado?

O período da Motorola nas mãos da Gigante das Buscas foi curto, e hoje fica claro que o que a empresa de Mountain View realmente queria da pioneira dos celulares era o acesso ao seu enorme tesouro na forma de patentes de tecnologia. Só que foi também dali que nasceram alguns sucessos que precisam sim ser mencionados.

O primeiro Moto X, lançado em 2013, foi um smartphone genuinamente ótimo e que introduziu coisas como comandos de voz. Mais tarde no mesmo ano, o primeiro Moto G chegou e essencialmente se tornou a definição de o que era um smartphone de custo-benefício. Essa linha, aliás, foi uma das maiores responsáveis pelo sucesso da Motorola ter se mantido no Brasil até hoje.

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Não é mistério para ninguém que, em volume total de vendas, aqui no Brasil são os smartphones intermediários, que oferecem uma melhor relação de custo-benefício, que mais fazem sucesso no nosso mercado, e por alguns anos desde o seu surgimento não tinha custo-benefício melhor do que os Moto G... Talvez o Moto Z Play depois, mas isso veio depois.

Segundo encontro com a morte: por que a Lenovo quase matou o nome “Motorola”, mas mudou de ideia?

Em 2014, foi a vez da Google vender a empresa para a chinesa Lenovo. A aquisição após esse longo declínio colocou a empresa em uma situação particularmente precária, que exigiu um longo processo de recuperação até que ela chegasse à sua posição atual no mercado internacional, pronta para tentar uma nova investida contra os líderes do mercado.

A primeira etapa dessa transformação, começada já na aquisição pela Lenovo, foi estancar a hemorragia de dinheiro. Isso não foi fácil, já que os prejuízos foram intensos durante o controle da Google, e a situação seguia no vermelho sob a nova direção chinesa. As medidas emergenciais para encarar o problema envolveram se concentrar nos pontos fortes, sair do mercado de smartphones premium e encerrar operações da Motorola em mercados que não estavam atingindo lucro.

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Foi nesse momento em que a empresa chinesa quase resolveu matar de vez o nome da Motorola no mercado de smartphones. Rumores circularam com força em 2016 sobre planos da chinesa de absorver de vez a marca Motorola, transformando seus produtos mais bem-sucedidos em uma família de smartphones da própria Lenovo identificada no máximo pelo apelido Moto. Mas os rumores causaram revolta internacional, e o barulho foi tanto que a Lenovo desistiu da ideia e seguiu com planos para reabilitar a empresa.

Quando os prejuízos finalmente foram sanados e a Motorola atingiu o equilíbrio, ainda sem lucro, mas também sem perder dinheiro, o plano entrou em seu segundo estágio. Entre 2018 e 2019, a missão dentro da Motorola passou a ser estabilização e crescimento do negócio de forma saudável, sem abrir mão de inovação. Foi nessa época que a empresa lançou seu primeiro aparelho com tela dobrável, o Motorola Razr, que conseguia ao mesmo tempo trazer uma boa aplicação de tecnologias muito avançadas e homenagear o design icônico do V3. 

Esse período também viu outros marcos positivos, como a primeira chamada via redes 5G, que foi feita usando um aparelho Motorola, além da reentrada em mercados como o Japão, a investida em regiões inéditas, como o Oriente Médio, e aposta no segmento B2B.

Por que o Brasil é uma realidade paralela para a Motorola?

Toda essa história de crise pode até parecer uma alucinação coletiva para quem é do Brasil e não acompanhou esses desdobramentos na época por meio de veículos especializados como o TecMundo. Por aqui, a Motorola continuou não só presente, mas sempre no top 3 das marcas mais vendidas de smartphones. A fabricação nacional já bem estabelecida ajudou a empresa a continuar oferecendo ótimo custo-benefício.

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Os fãs até sentiram falta dos lançamentos top de linha, como os Moto X, Moto Maxx e Moto Z, mas a força da empresa no segmento de intermediários continuou firme graças aos Moto G e, eventualmente, o Edge e Razr. 
Esses modelos, aliás, marcaram a transição da segunda para a terceira fase do plano de reviravolta da Motorola, que começou lá para 2020 e segue em andamento até hoje. O plano aqui é acelerar o negócio ao ponto em que os negócios da empresa dobrem de tamanho em 3 ou quatro anos contados a partir dos resultados do ano fiscal entre 2022 e 2023. Ou seja, o prazo para saber o quão certo a estratégia está dando sem sombra de dúvidas é o final de 2027.

Quais são as armas da Motorola em 2026 para voltar ao topo premium?

Sabendo disso, o peso dos anúncios mais recentes da Motorola do mercado de dispositivos super premium aumenta consideravelmente. O Motorola Signature vem sendo citado pela fabricante como a linha que vai competir definitivamente com os rivais mais focados em quem busca status. Ou seja, os iPhones e Galaxy S.

O Razr Fold vai finalmente competir com o domínio da Samsung no segmento de mercado do dobráveis de tela grande, uma fatia em que pelo menos aqui no Brasil a coreana simplesmente não tem competição séria, já que os chineses não conseguem chegar por valores cogitáveis. A Motorola provavelmente conseguiria fazer isso no nosso país, se realmente quiser.

Esses dois aparelhos novos, aliás, chegam com a promessa de suporte a 7 anos de atualizações do sistema, um ponto importante para o público. O fato de que eles estão igualando o que é oferecido pelas principais rivais nos smartphones superpremium é um sinal particularmente bom, já que os updates do Android se tornaram um verdadeiro calcanhar de Aquiles nos celulares da Motorola desde a aquisição pela Lenovo.

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Mais recentemente, durante a MWC, a Motorola até confirmou que está produzindo um smartphone não especificado que deverá atender todos os requisitos para rodar o GrapheneOS, um sistema operacional baseado no Android, mas com recursos e ferramentas muito mais poderosas para quem realmente se preocupa com segurança e privacidade. Hoje, somente os Pixel da Google atendem os requisitos exigidos pelos desenvolvedores do GrapheneOS, então fazer esse trabalho extra para atrair mais esse nicho do mercado reforça o comprometimento da Motorola em trazer vantagens que podem levar a empresa de volta ao topo.

Isso tudo sem tocar em pontos como a Qira, uma super IA agente revelada pela Motorola junto à Lenovo na CES, e que integraria todos os seus dispositivos compatíveis para orquestrar diferentes modelos de inteligência artificial para atingir os melhores resultados possíveis para você. A empresa revelou protótipos até de óculos inteligentes no estilo do Meta RayBan Display e um produto que pode ser usado tanto como pingente de colar quanto como broche, tem câmeras, alto-falantes e microfones, e vai justamente servir para facilitar a interação com essa IA futurista.

A maior reviravolta da tecnologia está prestes a se concretizar?

Com tudo isso, a Motorola em 2026 deve oferecer produtos preparados para atingir todos os segmentos de smartphones com produtos no mínimo dignos da competição. Quem busca desempenho bruto em especificações de ponta deve ter os Edge Ultra, quem quer dobráveis modernos pode escolher entre os Razr menores e o maior. Quem procura um símbolo de luxo pode escolher o Signature. E os intermediários também seguem firmes e fortes onde forem necessários.

A empresa hoje é muito mais madura e preparada para encarar a competição em nível global, por mais que carregue as cicatrizes das gestões confusas do passado. Agora as cartas estão todas na mesa, resta ver se a jogada vai vingar e levar a Motorola a concluir uma das maiores reviravoltas na história da tecnologia.


Compartilhe nos comentários o que você pensa desse assunto! Acha que a Motorola consegue recuperar o prestígio de marca premium ou ela ainda é e sempre será a marca do custo-benefício? Contribua com o debate!
 

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