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Site que vendia deepfakes de abuso infantil é derrubado após ação da AGU

A página, sediada no exterior, comercializava as imagens geradas por IA que posteriormente eram compartilhadas em fóruns na dark web.

Avatar do(a) autor(a): André Luiz Dias Gonçalves

schedule17/11/2025, às 14:30

updateAtualizado em 06/02/2026, às 08:27

Um site estrangeiro que comercializava deepfakes destinadas à produção de conteúdos de pornografia infantil saiu do ar após notificação extrajudicial da Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia (PNDD). Detalhes da ação foram divulgados pela Advocacia-Geral da União (AGU) na última sexta-feira (14).

O pedido da Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom) para a derrubada da página foi baseado em uma reportagem da agência Núcleo, que denunciou o uso de ferramentas de inteligência artificial de código aberto para a geração das imagens ilícitas envolvendo menores. A operação era realizada por meio da dark web.

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“Realismo perturbador”

Conforme a publicação, criminosos manipulavam fotos reais de crianças para a geração de conteúdos falsos de exploração e abuso sexual infantil utilizando recursos de IA oferecidos gratuitamente na internet. Esse tipo de tecnologia tem facilitado bastante a produção de tais materiais.

  • As ferramentas são encontradas em plataformas de compartilhamento de modelos, aplicativos e outras tecnologias de IA que têm grande popularidade, devido à possibilidade de usá-las gratuitamente;
  • O relatório aponta a geração de centenas de imagens de pornografia infantil por deepfake com “realismo perturbador”, que posteriormente eram disponibilizadas em fóruns de acesso restrito;
  • Esses conteúdos feitos com IA eram compartilhados em uma parte não visível da internet, que exige navegadores específicos para acessá-la;
  • De acordo com a AGU, cibercriminosos utilizam a dark web com frequência para ocultar diversos tipos de atividades ilegais.
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As imagens falsas geradas com poderosas ferramentas de IA podem ser convincentes. (Imagem: fadfebrian/Getty Images)

“A reportagem que embasou nossa atuação apontou para a existência de um mecanismo, com diversos atores, que se aproveitava da abertura de códigos de aplicações de IA para produzir imagens eróticas de crianças e adolescentes”, destacou o advogado da PNDD, Carlos Eduardo de Oliveira Lima.

O site derrubado fazia parte dessa cadeia, possibilitando a comercialização das imagens sintéticas criadas a partir do uso de fotos de crianças reais. Sediada no exterior, a página em questão não teve o nome revelado pelas autoridades.

Empresa não contestou a ação

Segundo a AGU, a página responsável pela oferta das imagens criadas com ferramentas de IA não fez nenhuma contestação à notificação recebida. Reconhecendo a irregularidade das publicações, o site foi derrubado em seguida.

O órgão agiu com base no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e também se fundamentou na Convenção sobre os Direitos da Criança, referência mundial em relação à proteção integral dos menores. Adotado em 1989 pela Organização das Nações Unidas (ONU), o tratado internacional estabelece os direitos associados à faixa etária.

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Perguntas Frequentes

O que motivou a derrubada do site estrangeiro que vendia deepfakes?
A derrubada foi motivada por uma notificação extrajudicial da Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia (PNDD), após denúncia da agência Núcleo sobre a comercialização de imagens de pornografia infantil geradas por inteligência artificial. A ação foi solicitada pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom).
Como as imagens ilegais eram produzidas e distribuídas?
Criminosos utilizavam ferramentas de inteligência artificial de código aberto para manipular fotos reais de crianças e gerar deepfakes com conteúdo de exploração sexual infantil. Essas imagens eram então compartilhadas em fóruns de acesso restrito na dark web.
O que são deepfakes e por que são perigosos nesse contexto?
Deepfakes são imagens ou vídeos falsos gerados por inteligência artificial que simulam com alto grau de realismo pessoas reais. No contexto do site derrubado, eles foram usados para criar pornografia infantil falsa, o que representa um grave crime e ameaça à integridade de menores.
O que é a dark web e qual seu papel nesse caso?
A dark web é uma parte da internet que não é indexada por mecanismos de busca convencionais e só pode ser acessada com navegadores específicos. Nesse caso, ela foi usada por cibercriminosos para distribuir os conteúdos ilegais de forma anônima e dificultar a identificação dos envolvidos.
Quais tecnologias foram utilizadas para criar os conteúdos ilegais?
Foram utilizadas ferramentas de inteligência artificial de código aberto, disponíveis gratuitamente em plataformas de compartilhamento de modelos e aplicativos populares. Essas tecnologias permitiram a criação de imagens com “realismo perturbador”.
Qual foi o papel da AGU na remoção do site?
A Advocacia-Geral da União (AGU), por meio da Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia (PNDD), foi responsável por emitir a notificação extrajudicial que resultou na retirada do site do ar, atuando em resposta à denúncia e ao pedido da Secom.
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