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Segurança

Cibercriminosos vazam dados supostamente obtidos do Governo Federal; autoridades negam

Grupo de ransomware Killsec afirma ter dados obtidos do Governo Federal, incluindo documentos com foto e CNHs, mas autoridades dizem não haver indícios de vazamento no Senatran.

Avatar do(a) autor(a): Adriano Camacho

schedule16/12/2025, às 19:25

updateAtualizado em 16/12/2025, às 19:48

Cibercriminosos do Grupo Killsec ameaçam expor dados supostamente obtidos do Governo Federal. Na publicação, realizada em seu blog na Dark Web, não há detalhes sobre o que teria sido obtido, e tampouco há especificações quanto à extensão do vazamento. No entanto, há documentos pessoais e comprovantes de pagamento anexados.

Entre eles, há Carteiras Nacionais de Habilitação (CNH), Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC), além de uma fatura de água, esgoto e serviços.

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Considerando a pouca amostragem e a baixa correlação entre os arquivos, não é possível afirmar qual é sua possível origem. Contudo, como dois dos documentos com foto são CNHs, o TecMundo Security entrou em contato com o Governo Federal, a fim de pedir um posicionamento sobre o caso e entender se há alguma relação com a Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran).

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Postagem com anúncio de dados supostamente obtidos do Governo Federal. (Fonte: Adriano Camacho / TecMundo)

Em resposta ao TecMundo Security, a Comunicação do Ministério dos Transportes afirmou: “A Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) não identificou qualquer tipo de vazamento de dados. As imagens enviadas não constam no ambiente do aplicativo gerido pela Senatran, pois se tratam de uma CNH física e uma outra em PDF, arquivo que é gerado pelo titular da conta gov.br.”

A publicação original, realizada na última segunda-feira (15), estipulou o prazo para a liberação dos supostos arquivos para as 19h25 de hoje (16). Até o momento, o site do Grupo Killsec ainda não foi atualizado e consta como “em espera”.

Grupo Killsec é ‘apolítico’ e busca lucro

Especializados em ataque de sequestro de dados, chamados de Ransomware, o Grupo Killsec é “inteiramente apolítico” e seu único foco é o “ganho financeiro”. Esse direcionamento ético pode ser visto em seu site na Dark Web, com frases promovendo a ostentação e ideias de uma vida de luxo.

Em uma das páginas, é possível encontrar informações sobre seu “Programa de Afiliados”, que busca recrutar membros de todos os países. Segundo o texto, o interesse principal é voltado para a criação de um time profissional de pentesters, uma área legítima que se especializa em testar defesas cibernéticas de serviço.

No entanto, os cibercriminosos também afirmam colaborar com indivíduos que “forneçam o acesso” – em outras palavras, que facilitem as invasões. Nesses casos, 20% do valor obtido no resgate é compartilhado com o cúmplice. O processo de afiliação é complexo, exige dedicação exclusiva e convite direto de um membro.

Para o Grupo Killsec, há os ataques com encriptação e o furto comum de dados. A abordagem é aplicada de acordo com o alvo, e sua natureza. Entidades provedoras de serviços críticos, como usinas hidrelétricas ou nucleares, não podem ter suas informações encriptadas – mas ainda podem ser exfiltradas. O mesmo vale para instituições médicas em que a interrupção das atividades pode provocar fatalidades.

Entre os alvos, há apenas uma categoria em que os ataques são ativamente incentivados: delegacias de polícia e autoridades legais. Segundo o grupo, essas entidades “não apreciam os serviços pós-pagos de testagem de defesa, e os consideram ilegais”. Então, há um incentivo para “demonstrar a importância de uma segurança robusta de rede” e provocar “multas pela incompetência digital”.

Com exceção dos Estados que anteriormente participaram da União Soviética, todas as organizações governamentais são alvos válidos – contanto que gerem lucro. Curiosa, a justificativa busca “respeitar as origens dos fundadores e parceiros” do Grupo Killsec.

 

  • Reportagem em atualização…

Perguntas Frequentes

O que é o Grupo Killsec e qual é sua motivação?
O Grupo Killsec é uma organização cibercriminosa especializada em ataques de ransomware, cujo objetivo principal é o lucro financeiro. Eles se declaram apolíticos e promovem uma imagem de ostentação e vida de luxo em seu site na Dark Web.
Quais dados o Grupo Killsec afirma ter obtido do Governo Federal?
O grupo afirma ter obtido dados do Governo Federal, incluindo documentos pessoais como Carteiras Nacionais de Habilitação (CNHs), Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) e uma fatura de água, esgoto e serviços. No entanto, não há detalhes sobre a extensão ou origem exata do suposto vazamento.
O Governo Federal confirmou o vazamento de dados?
Não. A Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), por meio do Ministério dos Transportes, afirmou que não identificou qualquer tipo de vazamento. As imagens divulgadas não constam no ambiente do aplicativo gerido pela Senatran e incluem uma CNH física e outra em PDF, que pode ser gerada pelo próprio usuário via conta gov.br.
O que é ransomware e como o Killsec o utiliza?
Ransomware é um tipo de ataque cibernético em que os dados de uma vítima são sequestrados por meio de criptografia, exigindo pagamento para sua liberação. O Killsec aplica essa técnica seletivamente, evitando criptografar dados de serviços críticos como usinas ou hospitais, mas ainda podendo exfiltrar (roubar) informações dessas entidades.
Como funciona o “Programa de Afiliados” do Killsec?
O programa busca recrutar membros globalmente, com foco em formar uma equipe profissional de pentesters (testadores de segurança cibernética). Também aceita cúmplices que forneçam acesso a sistemas, oferecendo 20% do valor obtido em resgates. A afiliação exige dedicação exclusiva e convite direto de um membro.
Quais são os alvos preferenciais do Killsec?
O grupo considera todas as organizações governamentais como alvos válidos, exceto as de países da antiga União Soviética. Delegacias de polícia e autoridades legais são especialmente visadas, pois, segundo o grupo, não valorizam testes de segurança e precisam ser “educadas” sobre a importância da proteção digital.
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