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Segurança

França investiga suposta interferência estrangeira após balsa ser atacada por malware

Autoridades francesas apuram se o ataque cibernético foi planejado por um "potência estrangeira", que queria controlar a embarcação remotamente.

Avatar do(a) autor(a): André Luiz Dias Gonçalves

schedule18/12/2025, às 17:00

updateAtualizado em 29/01/2026, às 09:03

A prisão de um cidadão da Letônia acusado de infectar uma balsa com malware que permitia controlá-la remotamente, na França, deu início a uma investigação sobre possível interferência estrangeira no país. Como noticiou a AP na quarta-feira (17), há suspeita de que o homem agiu a mando de uma potência não identificada.

Contratado para trabalhar na balsa Fantastic, da italiana Grandi Navi Veloci, o letão teria instalado um software malicioso nos computadores da embarcação enquanto ela atracava no porto de Sète, no Mediterrâneo. Ao detectar o programa suspeito, a empresa acionou as autoridades francesas.

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Embarcação poderia ser controlada à distância

De acordo com informações da Direção Geral de Segurança Interna da França (DGSI), os sistemas do ferry italiano foram infectados com um trojan de acesso remoto (RAT). Esse tipo de malware oferece acesso total ao dispositivo da vítima, à distância, permitindo controlá-lo.

  • Os investigadores trabalham com a possibilidade de que os responsáveis pela campanha assumiriam o comando da balsa Fantastic, mas não se sabe com qual intenção;
  • A companhia italiana não divulgou quais sistemas foram infectados pelo programa malicioso, mas afirmou ter conseguido neutralizar o ataque cibernético, que não deixou consequências;
  • Itens que pertenciam ao detido foram apreendidos e estão em análise pela agência francesa de contraespionagem;
  • Além do letão, um tripulante búlgaro também foi detido, porém acabou liberado após passar pelo interrogatório.
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A embarcação italiana Fantastic foi alvo do ataque cibernético com a implantação de trojan em seus sistemas. (Imagem: Grandi Navi Veloci/Divulgação)

O homem que continua preso e foi transferido para Paris pode ser processado por conspiração para infiltrar sistemas de computador em nome de uma potência estrangeira, segundo o relatório. Buscas e apreensões relacionadas ao caso também foram realizadas na Letônia.

“Isso é um assunto muito sério, indivíduos tentaram invadir o sistema de processamento de dados de uma embarcação. Os investigadores, obviamente, estão apurando interferência. Sim, interferência estrangeira”, comentou o ministro do Interior da França, Laurent Nuñez.

Qual país estaria envolvido no ciberataque?

Nuñez também disse que, no momento, “a interferência estrangeira muitas vezes vem do mesmo país”, sem mencionar diretamente qualquer nação. Mas conforme a imprensa francesa, ele estaria se referindo à Rússia.

Por causa da guerra da Ucrânia, a França e outros aliados de Kiev alegam que Moscou tem travado uma “guerra híbrida” contra o restante do continente. Isso envolve campanhas de desinformação, assassinatos, sabotagem e outros tipos de ações, além de ataques cibernéticos.

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Perguntas Frequentes

O que motivou a investigação de interferência estrangeira na França?
A investigação foi iniciada após a prisão de um cidadão da Letônia acusado de instalar um malware em uma balsa italiana atracada na França. As autoridades suspeitam que ele possa ter agido sob ordens de uma potência estrangeira não identificada, com o objetivo de controlar a embarcação remotamente.
Que tipo de malware foi utilizado no ataque à balsa?
O malware identificado foi um trojan de acesso remoto (RAT), um tipo de software malicioso que permite o controle total de um dispositivo à distância, possibilitando que terceiros operem o sistema infectado como se estivessem fisicamente presentes.
Qual era o possível objetivo do ataque cibernético à embarcação?
Embora as intenções exatas ainda não sejam conhecidas, os investigadores consideram a possibilidade de que os responsáveis pelo ataque planejavam assumir o controle da balsa Fantastic remotamente, o que levanta preocupações sobre segurança e possíveis ações de espionagem ou sabotagem.
A empresa responsável pela balsa conseguiu conter o ataque?
Sim. A empresa italiana Grandi Navi Veloci, responsável pela balsa Fantastic, detectou o programa suspeito e acionou as autoridades francesas. Segundo a companhia, o ataque foi neutralizado com sucesso e não deixou consequências.
Quem são os envolvidos no caso até o momento?
Um cidadão da Letônia foi preso sob acusação de instalar o malware na balsa. Além dele, um tripulante búlgaro também foi detido, mas acabou sendo liberado após interrogatório. Itens pertencentes ao letão foram apreendidos e estão sendo analisados pela agência francesa de contraespionagem.
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